De Bruyne, Hazard e Lukaku: o trio belga que ameaça o sonho do Hexa

Juro solenemente não utilizar neste texto a mais chata expressão dos último tempos no futebol: “geração belga”.


Esperamos por este jogo desde 1º de dezembro de 2017, quando, em Moscou, foram sorteados os grupos da Copa do Mundo Rússia 2018. A projeção de cruzamentos a partir dali deixava claro: o Brasil enfrentaria a Bélgica nas quartas de final. Apenas um desastre impediria tal encontro, e ele não veio. Os deuses do futebol foram bons com nós, amantes do ludopédio. Será o jogo de maior qualidade técnica da Copa do Mundo até aqui, daqueles impossíveis de tirar o olho da televisão. Há quem preferisse enfrentar o Japão. Amigo, é quartas de final de Copa do Mundo. É hora de vermos os grandes!


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De pé: Courtois, Kompany, Witsel, Meunier e Vertonghen. Abaixados: Alderweireld, De Bruyne, Hazard, Carrasco e Mertens


A Bélgica é uma potência indiscutível no futebol atual. Com uma liga nacional abaixo da média europeia, seus jogadores estão espalhados pelos melhores clubes do mundo, em especial na Premier League, principal competição de pontos corridos do planeta.


Les Diables Rouge não perdem desde 01/09/2016, quando foram superados por 2 a 0 pela Espanha, em amistoso. De lá pra cá, 23 jogos, 18 vitórias e 5 empates. Mas esses números mascaram um fato: quando enfrentam seleções mais pesadas, ficam devendo futebol. Afora a vitória contra a Inglaterra na última rodada da fase de grupos, um jogo em que ninguém verdadeiramente quis vencer, o último triunfo belga contra um peso-pesado do futebol foi há quase três anos, em 13/11/2015, contra a Itália. Depois, perdeu e empatou com Portugal, um revés na Euro para a Itália, a já citada derrota para a Espanha, além de uma igualdade contra a Holanda. A oportunidade de virar este retrospecto vem contra a maior de todas as seleções: o Brasil.


A Bélgica aposta toda a sua produção ofensiva em três nomes: Kevin De Bruyne, Eden Hazard e Romelu Lukaku. Zero segredo! De Bruyne é o mais completo armador do mundo, exemplo do meio-campista moderno. Se doa como poucos na marcação, tem no passe sua maior virtude, é ambidestro, finaliza de longa e média-distância e tem um pulmão invejável. Tudo o que um treinador pode pedir de um atleta que faz sua função. Não temos, por exemplo, este jogador no Brasil. Paulinho é quem poderia desempenhar algo parecido, mas tem características absolutamente distintas. O enfrentamento entre os dois, aliás, deve ser algo frequente no duelo desta sexta. O ruivo do Manchester City deixou de jogar pela meia-direita e passou a se aproximar mais de Hazard, na esquerda, justamente o setor de marcação de Paulinho. Qualquer descuido por ali e estaremos arruinados. De Bruyne se notabilizou por decidir jogos complicados para o Manchester City nesta temporada. Olho nele, pequeno Paulo!


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Kevin De Bruyne, craque e cérebro do time da Bélgica. Certamente, um perigo constante ao Brasil nesta sexta.


Hazard é pura magia! Há pelo menos 5 anos, é, ao lado de Neymar, o melhor driblador do futebol mundial. Me encanta vê-lo jogar. Imprevisível e ágil, carrega a bola colada no pé direito sempre buscando a jogada mais incisiva. Ultimamente, passou também a ser ameaça com seu chute de canhota, a teoricamente "perna ruim”. O camisa 10 da Bélgica, que tem sido um dos principais nomes desta Copa do Mundo, promete infernizar a vida de Fagner. Apesar de fazer uma competição segura até aqui, o lateral do Corinthians não pode ficar no mano a mano contra ele, é pedir pelo pior. Paulinho e Fernandinho precisam estar constantemente de olho na sobra e oferecer ajuda.


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Infernal! Hazard deixa três japoneses para trás na difícil vitória por 3x2.


Por fim, Lukaku. Com 1,91 m, ele promete dar muito trabalho a Thiago Silva (1,83) e Miranda (1,86). Além da força física, tem uma finalização letal com a canhota e se movimenta com inteligência, sempre dando opção para o passe mais agudo. Em 2018, tem impressionantes 20 gols em 15 jogos pela Bélgica. Sem Casemiro, será tarefa quase impossível conter suas jogadas como pivô. A missão brasileira é recuperar a segunda bola ou se antecipar ao atacante com características de um jogador de basquete. A bola aérea é outro problemão para Tite e companhia. Serão ao menos 5 jogadores da formação titular belga com mais de 1,85 m, todos esperando a batida perfeita de De Bruyne para a conclusão em gol. O posicionamento da zaga brasileira tem de ser perfeito e Alisson não pode se omitir nas saídas do gol.


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Um verdadeiro tanque! Lukaku já guardou 4 bolas na rede nesta Copa do Mundo.


Para não deixar passar, falemos também de Dries Mertens, o coadjuvante de luxo, uma espécie de Willian belga. Aos 31 anos, está no auge de sua forma técnica e coleciona impressionantes 56 gols em 95 jogos pelo Napoli nas últimas duas temporadas. É um baixinho inteligente e habilidoso, que causa problemas em qualquer defesa, mas a presença de Marcelo pode fazer com que ele mais se preocupe em acompanhar o lateral brasileiro que qualquer outra coisa.


Será mais uma batalha, um jogo de xadrez e encaixe. Diferentemente do que vem falando a imprensa brasileira, não acredito em grandes mudanças na formação da Bélgica. Apesar da fraca atuação contra o Japão, é impensável que um time que se preparou e jogou todos os jogos nesta Copa com três zagueiros de repente abra mão do sistema. Não houve nem tempo suficiente de treinamento para que isso seja ao menos palpável. Me surpreenderia muito caso o técnico Roberto Martínez viesse com uma linha de quatro atrás, e se ele o fizer, pode começar a comemorar. Na difícil virada contra o Japão, o problema foi de postura, não de ordem tática. Os belgas acreditavam que venceriam quando quisessem, e, pensando bem, foi mais ou menos isso o que aconteceu. Mas duvido muito que eles gostariam de repetir a experiência. Fellaini, que vem entrando bem no decorrer das partidas, talvez ganhe uma oportunidade. Chadli também é candidato a ocupar a vaga na ala esquerda, no lugar de Carrasco. No mais, o time deve se repetir.


É esta a Bélgica que busca fazer história e chegar apenas pela segunda vez em uma semifinal de Copa do Mundo, a outra aconteceu em 1986. Antes que você venha me taxar de puxa-saco de gringo, o Brasil é favorito ao confronto. Escrevi aqui nossos pontos fortes para esse jogo e como explorar as fragilidades do adversário. Será um jogaço em Kazan! Mal posso esperar por ele.


E você? Acredita que os belgas podem surpreender a Seleção? Mais algum perigo a acrescentar? Deixe seu comentário!


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