Caímos de pé! A Seleção Brasileira, mesmo na derrota, me representou na Copa do Mundo

Quando comecei esta jornada, um dia depois da abertura oficial da Copa do Mundo Rússia 2018, defendi logo no primeiro post o porquê desta Seleção merecer a sua torcida. Sempre estive muito confiante que o Hexa viria, o nome do blog não deixa dúvidas, mas o grande barato de torcer pelo time comandado por Tite pouco tem a ver com ser ou não campeão do mundo pela sexta vez na história. Escrevi ali que esta Seleção Brasileira me representava e tenho orgulho de voltar a escrever que, mesmo na eliminação, caímos de pé! Fomos fiéis ao que somos enquanto nação, a mais talentosa que há neste planeta com uma bola nos pés.


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Tite lamenta e pede desculpas à torcida na despedida da Rússia.


Jogamos como Brasil, buscando o gol a todo momento, incomodando o adversário, partindo para cima, finalizando, às vezes até se descontrolando um pouco, afinal somos latinos e não um cubo de gelo como algumas nações europeias. Acho curioso ouvir que perdemos o jogo na cabeça, no emocional. “Ah, os jogadores pareciam nervosos em campo, errando passes simples” - quem é que não ficou ansioso ou tenso assistindo ao jogo?! Imagina jogando. Faz parte da nossa personalidade, da forma como curtimos e nos envolvemos com o esporte. Esta repetida tentativa de “europeizar” nosso comportamento é inaceitável. Ficaria verdadeiramente irritado caso percebesse nos nossos atletas uma soberba ou acomodação com a situação, não foi o caso.


Perdemos porque do outro lado tinha um timaço! Como escrevemos aqui, a Bélgica tem todo um time titular jogando nas principais ligas de futebol do mundo, além de um trio top dos tops: De Bruyne, Hazard e Lukaku. Mérito absoluto também para o técnico espanhol Roberto Martínez, que soube ajustar seu time perfeitamente para enfrentar o Brasil e que soube extrair 100% do talento do trio supracitado. O goleiro Courtois foi outro que brilhou intensamente, salvando a pele belga em diversas oportunidades. Para quem não esteve envolvido emocionalmente com a partida, deu gosto de ver como a Bélgica fez tudo o que estava em seu poder para enfrentar uma potência como a Seleção Brasileira. E deu gosto de ver o Brasil tentando até o final, não empatando o jogo por detalhe.


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A alegria de um é a tristeza do outro. É assim que funciona.


Thiago Silva colocou bola na trave. Miranda foi um gigante contra Lukaku. Marcelo não fugiu da responsabilidade de atacar sempre. Paulinho ficou a centímetros de cutucar a bola para dentro. Neymar não se escondeu. Douglas Costa parecia jogar bola na rua com os amigos, partindo para cima sem medo e ganhando todas. Firmino ficou muito perto do empate no finalzinho. Renato Augusto entrou maravilhosamente, marcando um e tirando tinta da trave de Courtois em chute da entrada da área. Ainda tivemos um pênalti claro não marcado e um acréscimo econômico pelo tanto que o jogo ficou parado. Esporte é ciência, preparação, tática, mas também é acaso e sujeito ao aleatório.


Fernandinho foi o pior em campo disparado. Fagner terá pesadelos com Hazard até 2022. Willian não ganhou uma de Vertonghen. Gabriel Jesus mais uma vez passou em branco, tornando-se o primeiro centro-avante titular da Seleção na história das Copas a não marcar um golzinho sequer. Vilões? De jeito nenhum! Contenha sua raiva e não execre os jogadores. Mesmo com algumas atuações abaixo da média, poderíamos ter avançado caso apenas uma das 25 finalizações brasileiras que não terminaram em gol tivesse cruzado a linha. Faz parte, é do jogo. Fernandinho tem uma carreira respeitadíssima no Brasil e na Europa, é um dos 10 melhores volantes de contenção do mundo. Fagner é o melhor lateral direito do futebol jogado no Brasil, mas jamais conseguiria substituir o lesionado Daniel Alves à altura. Willian é muito bom jogador e multicampeão em solo europeu. Gabriel Jesus é um fenômeno de 21 anos, com pelo menos mais duas Copas pela frente.


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Fernandinho desaba após o apito final. Tenha certeza, ninguém no mundo está mais chateado ou irritado com Fernandinho que ele próprio.


Temos de saber perder como povo. Aprender que nem sempre temos razão e que é necessário ouvir o outro. Não é porque perdeu que não serve mais. Não é porque ganhou que seremos para sempre imbatíveis. O progresso não está nem no preto nem branco, mas no cinza. Que a gente tire lições humanas desta eliminação brasileira, a mais dolorida dos últimos tempos. A expectativa era altíssima, tínhamos um time talentoso e bem estruturado, nos preparamos da melhor maneira possível, os favoritos foram caindo mais cedo que o esperado… Nem sempre acertando quase todo o processo o êxito é garantido.


Quase todo o processo! Porque Tite também errou. Fred e Taison foram passear na Rússia? Renato Augusto só esteve em condições ideais na metade da Copa. Por que tamanha insistência com Gabriel Jesus titular? Enfim, falaremos sobre isso em outro post. Quero que Tite fique, porque é o mais capacitado treinador brasileiro e porque não tem a vaidade que eu citei acima, sabe ouvir e aprender. Não tenha a menor dúvida que Adenor sai transformado desta experiência que foi estar em uma Copa do Mundo. Faça como Tite: aprenda com os erros e os acertos, ouça o que os outros têm a dizer. Viva no cinza!


Como diria o outro, 2022 é logo ali.


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A eliminação dói, mas a vida segue.