Demissão de Berizzo demonstra fidelidade à essência sevillista

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Eduardo Berizzo, ex-treinador do Sevilla


Eduardo Berizzo não é mais técnico do Sevilla. A decisão foi tomada pelo Conselho de administração do clube, após uma votação. O técnico argentino não tinha muitos defensores, de modo que a decisão sobre a interrupção de seu trabalho não foi tão difícil, sob o ponto de vista profissional.


Sob o aspecto humano, por outro lado, certamente foi uma decisão bastante delicada, haja vista o problema de saúde enfrentado pelo treinador. Por este lado, havia um desejo de que o trabalho do treinador funcionasse e que o mesmo pudesse permanecer por mais tempo. Entretanto, a queda de rendimento da equipe era alarmante. Não havia muito o que fazer, a demissão era inevitável.


Os 5 meses de trabalho do técnico argentino foram marcados por um time descaracterizado, sem padrão de jogo e sem intensidade. Era um Sevilla apático, indolente e que não tinha a cara do clube. O torcedor sevillista está acostumado a outro estilo, baseado em um jogo vertical e honrado, com muita marcação e saída rápida.


O time de Berizzo não tinha nada disso. Por incrível que pareça, era uma equipe que potencializava os defeitos do time de Sampaoli (posse de bola estéril e pouca objetividade) e não aproveitava as virtudes (velocidade, intensidade, vértigo). 


O torcedor sevillista, que já não era muito simpático ao trabalho de Sampaoli, passou a ser totalmente contra Berizzo. O Sevilla não combina com posse de bola, com jogo bonito. O Sevilla que atingiu glórias o fez com objetividade, poucas firulas, seriedade e compromisso, marcação, contra-ataque, bola parada, intensidade, critério... 


Para o momento atual, sem Monchi e com um elenco recheado de personagens sin sangre, é fundamental contar com um técnico renomado, alguém que possa impor algum tipo de respeito ao grupo. O Sevilla tem dinheiro, prestígio internacional e grandes desafios. É uma excelente pedida para qualquer treinador. Além disso, virão, pelo menos, 3 reforços, sem contar com Guilherme Arana.


O torcedor sevillista clama pela volta do seu Sevilla. Basta de invenções, de conversas e de sensaciones. É hora de um time sério, um técnico sério, casta y coraje. Não queremos reinventar o futebol, só queremos isso de volta: