'Esto es Sevilla y aqui hay que mamar'

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Fim da sequência de 9 jogos sem vencer: Joaquin Caparrós reestreia no Sevilla com uma vitória ao seu estilo: 1 a 0 contra a Real Sociedad, com direito a tanganas, discussões, pressão fora de campo, perda de tempo, chutões, dentre outras "lindezas" com as quais o torcedor do Sevilla se sente absurdamente identificado. Treze anos depois, primeiras palavras do técnico sevillano na entrevista coletiva pós reestreia? "Aqui hay que mamar".


Caparrós é um verdadeiro choque aos que tratam o futebol como poesia, como se fosse algo demasiado filosófico - ou seja, ao passado recente do próprio clube. Caparrós representa o Sevilla, o sevillismo. Vitórias curtas, discussões em campo, perdas de tempo, luta por cada bola, dentre outras coisas... Isso é o Sevilla. Caparrós é um obcecado, um desses loucos que costumam triunfar no Sevilla. Como Unai Emery.


Não há espaço para pasotismo no Sevilla, para esse jogo de toque de lado, falta de objetividade... o sevillista se sente identificado com pressão, jogo vertiginoso, zagueiros que atuam como zagueiros, sem invenções. A dinâmica, com Sampaoli, Berizzo e Montella, era de reinvenção do futebol. No Sevilla, é difícil de isso dar certo.


"Esto es Sevilla y aqui hay que mamar". Esse, sem dúvida, é um dos gritos mais característicos da torcida do Sevilla, em momentos específicos, escolhidos com perfeição. Faltava isso, nesse Sevilla. Muita gentileza, muita criação de jogadas, futebol excessivamente lúdico. Isso sobrava. A falta de objetividade deixou o Sevilla disperso, perdido, sem referências. Caparrós traz tudo isso de volta. Mesmo que por 4 jogos. 


Os gritos de "Caparrós, Caparrós, Caparrós", enquanto os jogadores se envolviam em discussões, em campo, representam a sentença: o Sevilla está vivo, este é o Sevilla que queremos.


Esto es Sevilla y aqui hay que mamar.