Chutões, faltas, perdas de tempo... e vitória contra o Real Madrid

Getty Images
Getty Images

Layun celebra o segundo gol


Mais uma vitória do Sevilla de Joaquín Caparrós. O triunfo contra o Real Madrid (3 a 2) foi o segundo consecutivo, após 53 dias em jejum. Mérito para um Sevilla que voltou a jogar de uma forma que agrada o seu torcedor. Muito chutão, muita disputa pela bola, muita marcação, intensidade e objetividade. 


Quando Unai Emery deixou o Sevilla, após anos de muito sucesso, o técnico escolhido, Sampaoli, substituiu totalmente o estilo de jogo da equipe. Habitualmente pragmático, intenso e veloz, o time passou a atuar de uma forma totalmente distinta, com valorização da posse de bola e o chamado amateurismo, ou seja, a busca por uma espécie de entretenimento, diversão, sendo este um suposto caminho para a vitória.


Com os seus sucessores, Eduardo Berizzo e Vincenzo Montella, o time continuou com esse estilo. A valorização da posse de bola era requisito fundamental para qualquer atuação. A estratégia se revelou um problema, durante muito tempo, já que o time passou a ser muito pouco vertical, com uma preocupação excessiva em manter a bola, em todos os momentos.


Essa estratégia trouxe derrotas e a sequência delas fez com que o ambiente se tornasse cada vez pior. O resultado foi uma crise, que está sendo resolvida com Caparrós. O técnico utrerano veio para resgatar a essência sevillista, praticando um futebol óbvio, objetivo, sem grandes invenções.


No jogo de hoje, o Real Madrid sucumbiu diante de tanta pressão, tanta marcação, tanta intensidade. O placar final é extremamente enganoso, principalmente por conta da participação do árbitro. O melhor amigo do Real Madrid voltou a ser determinante, com direito a um pênalti absurdo.


Caparrós demonstra por qual motivo veio. Suas partidas são contadas como vitórias. Restam dois jogos e a classificação para a Liga Europa volta a ser possível. Seu estilo de jogo pode ser visto como arcaico, rústico. Não importa. É assim que o Sevilla gosta de jogar, é assim que o seu torcedor se sente a vontade. Está no DNA do clube. Este estilo trouxe títulos, dinheiro e prestígio.


Este é o caminho.