Sport 3 x 2 Atlético-MG: a casca que a vida nos dá

Quando eu era criança, via diversas pessoas andando a pé no centro do Recife, em um calor bíblico, suando, com cara de sofrimento. Ao mesmo tempo, a poucos metros, pessoas andando de carro, no ar-condicionado, com pele tenra. Nunca entendia o motivo daquelas pessoas escolherem andar a pé. Depois de alguns anos, entendi: muitas vezes não era escolha. E, mais alguns anos, me tornei um dos que caminhavam todo dia no centro. 


Com o passar do tempo, a gente aprende a sofrer para poder crescer. Não se avança na bonança. Nada ensina mais do que a desgraça, se você estiver disposto a apreender o ensinamento. Depois de alguns momentos de inocência ou soberba, o Sport parece que aprendeu porque a turma andava de carro.


Em uma semana, o Leão arrancou, na marra, duas vitórias bíblicas diante do Palmeiras, em São Paulo, e do Atlético-MG, na Ilha. Ambas por 3 a 2. No primeiro, vitória com pênalti defendido por Magrão aos 50. No segundo, virando o jogo em três minutos. O Sport aprendeu a sofrer. E mais: sofre e consegue atingir os objetivos. 


ALDO CARNEIRO/Gazeta Press
ALDO CARNEIRO/Gazeta Press

Rogério marcou um dos gols em mais uma vitória fundamental do Sport


Os anos passados residem na soberba utópica de parte de dirigentes e jogadores do próprio clube, que envolviam o destino na temporada em uma única palavra: Libertadores. Sempre frustração. O Sport era uma espécie de Juan Pablo Montoya: win or wall. Vitória ou muro. Em 2018, a sina não é Libertadores. É vencer. Ao final deste texto, o Sport é simplesmente vice-líder do Campeonato Brasileiro da Série A. 14 pontos. Pode cair algunas posições, mas não importa.


Claudinei Oliveira pode marcar época no Leão. Motivo? Está treinando o Sport. E, últimamente, treinar, neste clube, não vinha sendo sinônimo de algo óbvio: evoluir. Agora está. O Sport treina e evolui. E vence. 

Público: 15.605


Renda: R$241.945


Gols: Atlético-MG: Cazares e Ricardo Oliveira


Sport: Rogério, Michel Bastos e Gabriel.