Você lembra o que estava fazendo há exatos 10 anos? O Sport era campeão da Copa do Brasil

Há exatos 10 anos, você lembra o que estava fazendo? Eu estava enfrentando um engarrafamento bíblico para chegar à Ilha do Retiro, para o segundo jogo mais importante da história do Sport: a final da Copa do Brasil, diante do Corinthians, às 21h50. Naquele dia, tudo parecia igual mas, ao mesmo tempo, havia uma atmosfera de ineditismo. Desde a passada do ingresso na catraca, até sentar-se embaixo do refletor. Encontrei os mesmos vendedores de pipoca, o mesmo vendedor de refrigerante. Vi aquela família de anos e anos de arquibancada. Ainda assim, era tudo diferente.


ALDO CARNEIRO COSTA/Gazeta Press
ALDO CARNEIRO COSTA/Gazeta Press

2008: um ano absolutamente inesquecível para qualquer torcedor do Sport


À medida em que o jogo foi passando, fui lembrando tudo que passei como torcedor do Sport para chegar naquele momento. Lembrei das sete horas que fiquei na bilheteria do arco para comprar minha entrada para Sport x Inter, que me proporcionou o gol de Durval, até hoje o mais espetacular que vi ao vivo. Dois dias depois, me associei ao clube.


Lembrei da disputa de pênaltis contra o Vasco. Lembrei, claro, de Romerito. De seu jogo contra o Palmeiras, uma das maiores atuações individuais de um jogador de futebol que presenciei in loco. Foi engraçado porque, os minutos daquela final se passavam, e minha cabeça ficava viajando pelo passado e para o futuro. 


Eita. Gol de Bala.


A partir daí, não "dormi mais". Eita. Luciano Henrique. Gol. 


ALDO CARNEIRO COSTA/Gazeta Press
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Durval: o gol contra o Inter é inesquecível


Uma lembrança que eu tenho clara na mente é que, ao sair o segundo gol, eu mal comemorei o lance em si. Na minha cabeça era: "vamos bater o Boca Júniors, lá dentro."


Daquele passado, muito se enxerga hoje. 3650 dias separam o Sport da nossa gente daquele título. E vemos que perdemos diversas oportunidades após aquele momento. Aquele chute de Ciro na trave diante do Palmeiras pela Libertadores, os desmandos políticos dentro do clube, a cobiça e o egocentrismo, o mal planejamento imediatamente após a conquista...


Ainda assim, o que fica é o bom. O positivo. Quando o jogo acabou, eu olhei para o vendedor de pipoca que sempre vendia um produto horrível, mole. Ele era abraçado por uma turma de enlouquecidos. Ainda acho, até hoje, que ninguém sabia na verdade o que estava acontecendo. E essa foi a graça.


Você pode não lembrar o que estava fazendo há exatos 10 anos. Mas, no tempo que levou pra ler esse texto, eu já tinha passado pela ponte e já via o mar rubro-negro na frente da sede. A Copa do Brasil de 2008 deve ter sido a mais difícil de todos os tempos. 


E é nossa.