Sport: Step by step ou B, baby

Williams Aguiar/Sport Club do Recife
Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Diego Souza, um ano antes do gol na final da Copa da Rússia


Achei melhor não escrever ontem por medo da euforia do título da Libertadores em 2019 tomar conta de mim. Porque esse já é o clima em Recife, e felizmente não estou lá para me deixar enebriar com visões de Patrick mijando no escudo do Boca na Bombonera fazendo gestos lascivos com a língua e André tomando um banho de vodka no centro do campo (despejada por Diego Souza - uma edição especial da adega particular de Vladimir Putin após AQUELE gol na final da Copa da Rússia - que gritava frases lexicamente equivocadas em sânscrito, só de cueca) após aquela última cobrança de pênalti magistralmente executada por Magrão, que faria ali seu último jogo pelo Sport, o de número 743, até ser interpelado de forma assertiva por Everton Felipe, que, após sua primeira convocação para a Seleção de Tite, falou que o goleiro estava no radar do técnico do povo para a Copa do Quatar e também da Juventus, após as desastrosas tentativas da Velha Senhora em substituir Buffon. A imprensa italiana definia o Magro como um "portiere con potenziale." Mas Magrão estava debaixo das traves, impávido colosso, ajoelhado e agradecendo às entidades fantásticas que regem o aleatório ao lado de Durval, e juntos eles formavam aquela passagem bíblica com as idades do povo de Deus, o Magro, com 812 anos, Durval, 733. Até que Diego Souza chega para abençoá-los com água benta, boca mole e agora umas frases em enoquiano, a língua dos anjos. A essa altura, Raul Prata já havia dado 3 voltas olímpicas, sozinho, distribuindo dedadas às arquibancadas tristes, com uma faixa onde lia-se EU SEI CRUZAR, não se sabe se pelo recorde de 28 assistências no TRI do Brasileiro ou uma suave alfinetada ao ex-companheiro Samuel Xavier, que deixou o clube em 2018 por não admitir ser reserva de Raul e acabou no Náutico. Sander continuava dando carrinhos pelo campo ainda sem perceber a fratura exposta na perna esquerda, adquirida aos 19 minutos do primeiro tempo. Enriquez dava um intensivo de palavrões em espanhol a Anselmo, o penteado ensebado de cera ainda intacto. Anselmo não conseguia prestar atenção, pois Rithely havia pulado em suas costas, olhos vidrados, e dava socos no ar em completo silêncio. Marquinhos havia ido ao vestiário e agora voltava ao gramado com uma bandeira gigante do Sport costurada por Dona Maria. Osvaldo e Régis estavam arrancando a grama do estádio. Diego Souza juntou-se a eles e passou a fazer o mesmo, imitando um leão que falava hebraico (com alguns erros de concordância nominal). Marquinhos CRAVOU a bandeira do Sport no centro do campo, atravessando a mão de André, que jazia em coma alcóolico e nada percebeu. Nelsinho Baptista rasgou sua camisa e dava uma entrevista a uma emissora de TV japonesa com fluência. Quando perguntado sobre o NCJ do Paris Saint-Germain (Neymar, Coutinho e Jesus), provável adversário da equipe na final do Mundial, confundiu as coisas e entregou seu próximo destino como técnico, contrariando as expectativas de encerrar sua carreira na Seleção ("Essa eu vou deixar pro Dudu"). Arnaldo Barros explicava à imprensa sobre as burocracias de tentar levar o Sport para ligas maiores: "a gente tem que entender que a rivalidade do Sport não é com Flamengo, Corinthians, Boca... a gente tem que disputar com Chelsea, Real Madrid, Bayern..." Devido ao grande fluxo de torcedores esperando pelo time em Recife, o Sport precisará desembarcar em Belém e começar de lá sua carreata.


Não, sem empolgação. Vamos pensar no Corinthians primeiro.