Diego Souza: a triste partida do maior jogador que já passou pelo Sport

E a segunda começou com a despedida do - possivelmente - maior jogador que já passou pelo Sport. Que soem as cornetas.


Muitos torcedores preferem deixar o ódio aflorar por seus poros. E o fazem de duas formas: xingando e desdenhando. Os xingamentos partem para a calabarização do sujeito: chamam de traidor, clamam que não foi homem, que desrespeitou a instituição Sport Club do Recife, que se vendeu ao Eixo do Mal, o lado negro d'A Força. Nós, pernambucanos, somos especialistas nisso desde a Companhia das Índias. O desdém é mais engraçado. Fazer pouco caso, dizer que não sentiremos sua falta, que tem um milhão de jogadores melhores por aí. Parece o comportamento masculino típico de quando a mulher termina uma relação. Diz que não liga, mas inferniza a vida dela pra sempre. Até casos extremos. Tergiverso.


Gazeta Press
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Diego Souza e seu esporte favorito


Mas a verdade é que não, não tem jogadores melhores disponíveis por aí. Patrick, Rithely, Mena, Régis, todos esses são substituíveis. Diego Souza não. E fico impressionado com torcedores do Sport que não perceberam isso ainda. Ou não o viram jogando ou desconhecem o jogo. Diego Souza é craque. Não apenas muito bom jogador: é craque. É outra dimensão, é outra forma de pensar o futebol. Se não jogou em alto nível na Europa - que é nosso parâmetro de sucesso - é porque não quis. O querer sempre foi o problema dele. Já bati demais nessa tecla da motivação. É igual à procrastinação em nossas vidas. Ele sempre teve consciência da sua qualidade e, por isso, não se doa em campo. Ele sempre foi apenas, digamos, suficiente. O mesmo se dizia de Michael Laudrup. Johan Cruijff, que o treinou no Barcelona nos anos 90, declarou que quando Laudrup jogava 80%-90% de sua capacidade, ele já era o melhor com sobras. Platini disse que ele era o melhor do mundo nos treinos, mas nunca usou todo o seu talento nos jogos. Não vou equiparar Laudrup e Diego Souza, mas Diego poderia ter ido muito mais longe na carreira. Não é todo jogador que tem, simultaneamente, força física, toque refinado (você consegue saber quão bom o sujeito é no mais simples tapa na bola), domínio e visão.


O São Paulo foi esperto. 10 milhões num jogador que vai completar 33 anos parece completamente irracional. Não é, por dois motivos: ele não precisa correr e ele não se machuca. E começa o ano extremamente motivado com a possibilidade real de jogar uma Copa do Mundo. E, ao mesmo tempo, esse é o fator de risco: não ser convocado. Se seus anseios não forem satisfeitos, ele vai travar. Mas aí já é problema do São Paulo, a jurisdição mudou.


Mas Tite é esperto. Ele sabe da capacidade do jogador e teve a manha de convocá-lo justamente no momento mais estável da sua carreira. Tite é um cara que observa essas coisas. O episódio do assédio do Palmeiras ano passado custou uma convocação a Diego. Mas, dessa vez, ele sai pela porta da frente, com a justificativa de jogar na posição para a qual vem sendo convocado, mais à frente. Creio que, se Tite realmente quisesse contar com ele na Copa, o convocaria jogando no Sport, São Paulo ou algum clube do Vietnã. Mas respeito a decisão dele.


Nós, rubro-negros, já nos damos por satisfeitos por termos ressuscitado esse grande jogador, que, ao chegar no Sport, foi alvo de chacotas de muitos torcedores de times que hoje queriam tê-lo no elenco. Diego calou a boca dos críticos, driblou o "fim de carreira", vestiu a camisa e jogou muita bola. Infelizmente a diretoria não soube dar um elenco à altura ao jogador, que passou dois anos livrando o time do rebaixamento. Agradecemos as três temporadas e meia. E torcemos pela sua convocação. E ficamos sem substituto. Segue o jogo. Mais feio, agora, mas segue.


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Falando em fim de carreira, Juninho está perto de encerrar a sua aos 19 anos.


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Rithely já foi?