A jornada dos Spurs por um título precisa (e está prestes a) terminar

Eu já estive por aqui. O grande Pedro Reinert, que, esbanjando a sua corriqueira classe, despediu-se deste espaço na quarta-feira, me deu algumas oportunidades. Dessa vez, porém, recebo a maior de todas: a de substitui-lo permanentemente. É provável que você não se lembre de mim, tampouco de meus textos – na verdade, talvez de um deles.


Aquele da lasanha, sabe? O relato do fatídico episódio em que o Tottenham não se classificou para a Champions League por causa de uma janta, que não caiu bem antes do duelo contra o West Ham, em 2006. Então: os tempos mudaram. Agora, os Spurs se classificaram para a maior competição continental do mundo – pelo terceiro ano consecutivo. Todavia, a temporada de 2017/2018 tem fatores que, bem como aquela lasanha, foram mal digeridos.


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Novamente, faltou a cereja do bolo


Não há pratos italianos dessa vez. Muito pelo contrário: há fome. Fome de taças. E ela é real: desde o cruzamento de Jermaine Jenas e a cabeçada miraculosa de Jonathan Woodgate, em fevereiro de 2008, que deram o título da Copa da Liga aos comandados de Juande Ramos, a equipe nunca mais viveu um cenário similar. Ainda que o grupo atual seja indiscutivelmente melhor que esse de dez anos atrás, falta algo.


Treinador? Definitivamente não. Mauricio Pochettino revolucionou a forma com a qual o time joga e dispensa maiores apresentações.


Elenco? Quiçá. O Tottenham tem um dos melhores goleiros, um dos melhores meias e o melhor centroavante do mundo. Ainda assim, ao grupo de jogadores pesa o último algo.


Frieza? Sim, com certeza. É esse o algo que falta.


Naquele momento decisivo, a ausência de calma da equipe fica evidente. O histórico dos Spurs é tão responsável por isso quanto a juventude do grupo. Quando a Juventus, na Champions, ou o Manchester United, na FA Cup, conseguiram chegar ao empate em Wembley, tanto o atleta mais velho do Tottenham quanto o mais novo pensaram a mesma coisa: “Ah, de novo não”. Sim, de novo. E isso os enfraquece.


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A frieza precisa estar ao lado do Tottenham nos momentos decisivos


Para reverter a situação, é necessário quebrar tabus. Na temporada que passou, esse mesmo time conseguiu romper alguns: os lilywhites não eram o melhor time de Londres na Premier League havia 23 anos. Havia. E a maldição de Wembley, lembra? Caiu por terra com vitórias maiúsculas sobre Liverpool e Real Madrid, por exemplo.


O segredo está no amadurecimento da equipe. Se ela der chabus no caminho, sem problemas - uma hora compensa. Davies e Trippier foram de laterais reservas e razoáveis para titulares absolutos. Son, por vezes – e finalmente -, pareceu craque. E o Kane? Mais uma vez, aumentou sua marca de gols na Premier League. O processo é lento, mas legítimo.


Custe o que custar, o Tottenham precisa de títulos.


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Recheada de jovens, a equipe de Pochettino tem evoluído a cada temporada


O Reinert inaugurou o One Hotspur com Pochettino iniciando sua trajetória na casamata do White Hart Lane e deixou-o com o comandante já consolidado como um dos maiores da história do clube. Chegou a hora de coroar esse momento.


Pegue seu tíquete e embarque nesse trem comigo, torcedor. Espero que aproveite a jornada.