Com estímulo de Levy, Pochettino segue seu ciclo no Tottenham

Com as mãos trêmulas, Florentino Pérez segura seu celular. O contato de Daniel Levy está aberto há alguns minutos. Se ele terá peito para clicar no botão de ligar, ninguém sabe. Maurício Pochettino alimenta a dúvida do presidente do Real Madrid ao responder um repórter, que coloca como impossível a negação de um convite do clube madrilenho. “Para você, é impossível. Mas eu não sou você”.


Por óbvio, a narrativa é inventada. Somente supõe-se que Pérez tem medo de negociar com Levy - ainda que fatos possam provar o ponto. Não tão óbvia assim, a fala do treinador dos Spurs de fato aconteceu, e, provavelmente, ajudou a movimentar os ambientes de Tottenham e Real Madrid.


Com a recente evolução do time inglês, uma história passou a ser comum em (raros) momentos de desequilíbrio no Real: o interesse da equipe em Maurício Pochettino. Novamente, o fato – que assim pode ser chamado - veio à tona. Os gigantes espanhóis querem o treinador dos Spurs, visando uma sequência ao brilhante trabalho de Zidane. Ao contrário do que se fala em alguns lugares, não há cláusula que aproximem as partes. Dois nomes, sobretudo, impedem que a queda dos merengues pelo comandante torne-se namoro: Daniel Levy e, impressionantemente, o próprio Pochettino.


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Maurício e Daniel caminharão juntos por mais uma temporada?


Acreditar na barreira chamada Daniel Levy não é difícil: o presidente de operações no Tottenham é capaz de contratar um zagueiro austríaco mediano por £5 milhões e revendê-lo, duas temporadas - e poucas atuações – depois, por £17 milhões. Jean-Michael Aulas, dono e presidente do Lyon, ao vender Lloris para o Tottenham, disse que nunca viu algo parecido com a forma que o chairman dos Spurs negociava em 25 anos. Definitivamente, não é fácil negociar com o homem.


Com Florentino Pérez, não há diferenças no tratamento. Segundo o presidente do Real Madrid, ele virou amigo de Levy depois de passar tanto tempo negociando as contratações de Modric e Bale com ele. O histórico não mente, e a estima entre ambos não facilita uma eventual transferência do treinador ao Real. Além de tudo, o presidente dos Spurs prometeu uma bagatela de £150 milhões para o comandante investir na equipe nesta pré-temporada – algo tentador para quem fez o que fez, em quatro anos, com um gasto líquido de £11 milhões.


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Soberano na Champions League, o Real Madrid de Zidane não soube bater o Tottenham de Pochettino


Na sexta-feira, enquanto promovia seu livro em Barcelona, Maurício Pochettino não se esquivou das perguntas a respeito do interesse dos merengues. Sobre o que a equipe espanhola encontrará, mais uma vez, caso vá atrás do presidente do Tottenham, o técnico argentino foi sucinto: “Daniel muerde”. A curta frase, que estampará a capa do Marca deste final de semana, é perfeita, mas não resume a situação do treinador. Isso porque ele também foi bastante claro em suas alegações.


“Levo com naturalidade, o interesse não me afeta. Estou envolvido em um projeto espetacular e a motivação é tremenda. Acabei de renovar o contrato por mais cinco anos, estou feliz e sei que as pessoas do Tottenham estão felizes comigo”. Quando perguntado o se estava pronto para um desafio, Poch foi bem-humorado: “Agora estou pronto para o almoço. Não para assumir o Real Madrid. Depois, estarei pronto para voltar a Londres”. 


Eu sei. Você sabe. Pochettino também. Recusar um time que conquistou a Europa 13 vezes não é fácil. Por isso, a saída do treinador jamais pôde ser descartada. As declarações dele e a confiança de Levy acalmam o torcedor do Tottenham, mas ele só estará completamente tranquilizado quando o Real Madrid anunciar um novo treinador. E tudo se encaminha para que isso aconteça.