Há dez anos, Modric quase não foi do Tottenham, mas chegou e encantou

Arsenal, Chelsea, Manchester City, Juventus e até o Barcelona: várias equipes estavam interessadas no promissor meia Luka Modric, do Dinamo Zagreb. O abril de 2008 estava nos seus últimos dias, bem como a janela de transferências, e os diretores do Tottenham sentiam que perderiam o croata de 22 anos - sonho de consumo da equipe inglesa havia um ano. O relógio acelerava impiedosamente, mas Daniel Levy, presidente dos Spurs, tratou de acalmar a situação.


Impaciente ao saber que outros times aproximavam-se de Modric, o então diretor de futebol do Tottenham, Damien Comolli, sentiu que algo precisava ser feito. No estacionamento do antigo centro de treinamentos da equipe, em Chigwell, há dez quilômetros de Londres, pela manhã, Comolli ligou para Levy. Era o empurrão que faltava para o presidente usar de sua - nada ortodoxa – eficiência em conquistar atletas.


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Todos queriam o croata franzino que deixou a Inglaterra no chão em 2008


Ao se comunicar com Daniel Levy, Damien Comolli sabia que fizera o certo. “Se não fechássemos o negócio em dois ou três dias, um ano de esforço iria para o lixo pois perderíamos o jogador”. A competição pelo croata era grande, e sobravam razões para tal. Na Eurocopa de 2008, Modric mostrou-se para um continente inteiro. No duelo em que a equipe de Slaven Bilic eliminou a Inglaterra, fez Gerrard e Lampard parecerem meros espectadores. Sua visão de jogo e seu talento singular no passe despertaram o interesse de inúmeros clubes – mas os Spurs queriam-no havia mais tempo.


A ligação entre Levy e Comolli durou pouco. “Daniel foi Daniel e simplesmente desligou o celular, pegou suas coisas, entrou em um jatinho privado e voou para Zagreb”, comentou Comolli. O diretor de futebol havia dado três dias para que o presidente contratasse Modric. O prazo, contudo, foi pisoteado. “Algumas horas depois, às 3h da madrugada, Daniel me ligou. Luka era nosso”. Contando as 5h que envolvem partir da capital inglesa para a capital croata e vice-versa, imaginar como Levy negociou um atleta em tão pouco tempo é um difícil exercício.


No dia 29 de abril de 2008, ao lado de Giovani dos Santos e Heurelho Gomes, os Spurs anunciaram a contratação de Luka Modric. O atacante mexicano jamais vingou. O goleiro brasileiro, por sua vez, foi titular ao longo de toda a temporada de 2008/2009 e pelos quatro anos seguintes. O destino do croata foi diferente. Com Juande Ramos no comando da equipe, pouco jogou. A saída do espanhol e chegada do técnico Harry Redknapp deu novas esperanças ao meia, mas atuando no flanco esquerdo. Rendeu pouco.


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Com a camisa dos Spurs, Modric encantou e provou seu valor


O início inconstante assustava quem pagou cerca de £16 milhões para sua contratação. Bastou movê-lo para a dupla de meias centrais que o preço foi mais que justificado – ou dobrado. Em 2012, depois de firmar-se como o principal jogador dos Spurs, foi vendido por £30 milhões para o Real Madrid. O croata fez parte de grandes momentos na equipe de Londres, e, até hoje, é visto como um dos melhores meias que o time teve no século 21. Tanto que tem gente que ainda sonha com uma volta dele ao Tottenham, para encerrar sua vitoriosa carreira onde se mostrou para o mundo. No momento, isso parece irreal.


Luka Modric jamais deixou de evoluir. A cada ano nos Spurs, parecia mais completo e assustador – e a lógica segue. É um dos maiores nomes do (quase) imbatível Real Madrid, e tem o mesmo protagonismo pela seleção da Croácia. Caballero, Messi e companhia que o digam.