Ao presidente da Coreia do Sul, uma carta: não deixe o Son parar de sorrir

Getty Images
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Amor pela camisa


Excelentíssimo Moon Jae-in,


Peço que deixe tudo de lado.


Por um instante, se esqueça de tradições e imposições. O alistamento é obrigatório no seu país, claro, bem como o serviço militar. Há, contudo, situações que são maiores que isso. Dignificar a Coreia do Sul em torneios mundiais é uma delas, e você sabe disso. Tanto que atletas medalhistas em Olimpíadas ou nos Jogos Asiáticos são liberados do exército, como seus antecessores definiram.


E se eu lhe dissesse que o país pode ser honrado sem grandes conquistas? Ou melhor, com uma eliminação?


Por um instante, imagine a possibilidade de frustrar a Alemanha na frente do mundo todo. Não de todo mundo, aquela expressão, mas do mundo todo mesmo. Em uma competição global. Abater os germânicos na Rússia, mandá-los para casa. Assim como foi a Batalha do Stalingrado, na Segunda Guerra Mundial. Só que sem precisar pegar em armas - aliás, depende do que você considera uma arma.


Um atacante veloz como uma bala, que pune defesas adversárias com sua bravura e seu vigor, é uma arma? Pergunte à Alemanha. A tetracampeã, que tentava passar de fase na Copa do Mundo, viu suas esperanças irem por água abaixo por conta dessa arma. Quer dizer, não sei se viu direito. Heung-min Son, como um vulto, em poucos segundos, ultrapassou a linha central do campo e entrou na área inimiga, silenciando o adversário ao empurrar a bola para o gol abandonado.


A euforia tomou conta do atacante, da equipe e da torcida. E de várias outras nações. Sim, no plural mesmo. Não foi só a Coreia do Sul que celebrou a vitória do país. Os italianos, que não querem ver a Alemanha ultrapassar seu número de títulos em Copas, celebraram. Os suíços, que jamais gostariam de enfrentar a Alemanha nas oitavas de final, celebraram. E os brasileiros? Nem preciso dizer por quais razões celebraram também.


Heung-min Son é a personificação da alegria. Cativa a todos com seu humor e, logicamente, com seus gols. Só o fato de ele atuar em alto nível no melhor futebol do mundo já deveria ser uma honra aos sul-coreanos. Agora, participando ativamente de um dos momentos mais marcantes da história das Copas, o mérito é ainda mais claro.


O capitão desse momento precisa ser lembrado por isso - e pelas conquistas que virão, tanto pela seleção quando pelo seu clube. Por isso, caro Moon Jae-in, eu lhe peço: libere o Son do serviço militar.


Com as mais sinceras saudações,


Um fã do seu craque