Lloris foi a pitada de Tottenham que a final da Copa precisava

Nos últimos anos, o roteiro do Tottenham tem se repetido. Temporada animadora, esperança de titulos, equipe voando e... Nada. O termo spursy (do inglês, falhar consistente e inevitavelmente) jamais deixou de ser usado, já que compreende todas as expectativas frustradas da equipe; contudo, recorre cada vez menos. O porquê disso é claro: na era Pochettino, os Spurs tornaram-se frequentadores regulares da Champions League e do top 4 da Premier League.


A crescente do Tottenham elevou o patamar dos jogadores. A Copa provou isso: alguns dos principais nomes do torneio têm fortes ligações com o norte de Londres. O artilheiro foi Harry Kane que, mesmo pouco municiado, deu um jeitinho de garantir mais uma Chuteira de Ouro. Quem levou a Bola de Ouro para casa foi o ex-Tottenham Luka Modric, regente da surpreendente Croácia.


O troféu mais requisitado também passou pelas mãos de um atleta dos Spurs. Ou melhor: foi erguido por elas. Hugo Lloris fez um ótimo torneio e foi coroado, ao lado de seus compatriotas franceses, com o título da Copa do Mundo de 2018. Ninguém esperava, todavia, que o goleiro fosse o responsável por um turbilhão de emoções na final. E ele foi.


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Na final, Lloris foi frio. Até demais


No primeiro tempo do grande jogo, a Croácia foi melhor, mas só assustou a meta de Lloris uma vez, no chutaço – e golaço – de Ivan Perisic. As emoções estavam guardadas para a segunda etapa. Logo no segundo minuto, o arqueiro fez milagre em finalização de Rebic. Instantes depois, ele saiu da área de forma arriscada, fazendo tremer todo torcedor calejado dos Spurs, porém, livrou-se do atacante croata com o peito e distribuiu a bola com impressionante frieza. A postura de Hugo tornaria-se contra o próprio nos minutos seguintes.


O defensor Umtiti tinha a bola dominada na defesa e, pressionado, achou que seria uma boa recuar para Lloris. Naquele momento, entrou em cena a adrenalina: uma dose do hormônio visitou o sangue do arqueiro, o que o fez optar pelo mais difícil. Se aventurar numa final de Copa, com um lance possivelmente histórico, era uma boa ideia? Quem sabe. E protagonizar um momento spursy no jogo mais importante dos últimos (e próximos) quatro anos? Com certeza. Esse não poderia faltar.


O lance determinou o segundo gol da Croácia, e uma das falhas mais marcantes da carreira de Hugo Lloris. Por sorte, os vencedores já estavam sacramentados, e o 4x2 manteve-se até o fim do jogo. A final de Copa do Mundo com mais gols desde 1958 teve, como um dos protagonistas, pelo bem ou pelo mal, o goleiro francês.


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Símbolo da mudança: capitão da França e dos Spurs ergueu o troféu


A decisão de Lloris foi, de fato, spursy. Aquela sensação de incredulidade, já comum a quem convive com o termo, ficou mais presente do que nunca. Ao final, tudo deu certo, e a situação mostra que o Tottenham, querendo ou não, subiu vários degraus. Falha-se na final da Copa do Mundo, com o jogo praticamente resolvido. Diante da heptacampeã italiana, frustra-se na Liga dos Campeões. Os tombos doem, contudo, vêm se tornando cada vez menos vexatórios. O Tottenham caminha a passos largos ao reciclar o vocábulo por ele próprio criado, e, quem sabe, chega mais perto de redefini-lo.