Quando chamaremos Lucas Moura de craque novamente?

Era difícil de segurá-lo. Arisco e destemido, Lucas Moura encantava a todos com dribles e arrancadas. Uma ode ao clássico ponta brasileiro. Por vezes, posto no mesmo patamar de Neymar: o hype era real. Ao se transferir do São Paulo para o PSG, seguiu surpreendendo. A cada temporada, parecia não só um atleta liso e veloz, mas também letal. Alguns garantiam-no com a 7 da seleção brasileira por muito tempo. “Craque”, sacramentavam.


Na França, evoluiu junto com a equipe de Paris. No último ano com Laurent Blanc no comando, teve sua temporada mais artilheira, com 19 gols. A temporada seguinte, de 2017/18, não seria um mar de rosas. Por alguma razão, Unai Emery resolveu subutilizá-lo – e que sorte a nossa. Chegou ao Tottenham em meio à temporada de 2017/18, na qual marcou um gol e deu cinco assistências em onze jogos. Mais do que nunca, terá a grande chance de ser o Lucas que todos conhecem.


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O ponta deve receber mais oportunidades na temporada de 2018/19


Buscando o espaço ideal no grupo dos Spurs, Moura já deu o passo à frente. Mais de um, na verdade: além de ter iniciado a pré-temporada antes de praticamente todos os titulares, colocou fogo em todos os jogos-treino. Em dois duelos na Inglaterra, contra equipes de divisões inferiores, teve boas participações, dando assistências e marcando gol. Em um amistoso mais difícil, na Terra do Tio Sam, infernizou a Roma. Marcou dois gols e participou de outros dois na goleada do Tottenham, por 4x1, em cima dos semifinalistas da última Champions League.


Balançar as redes não foi a única qualidade que o ponta demonstrou nos duelos preparatórios para a temporada: deu toques de calcanhar, canetinhas e piques fulminantes. As tradicionais arrancadas lembraram o velho Lucas – que, além da careca, de idoso não tem nada. Aos 25 anos, o jogador se mostra em plena forma física, diferentemente dos vários atletas dos Spurs que participaram da Copa do Mundo e tiveram – ou terão - férias reduzidas. Son, concorrente direto de posição, passará o mês de agosto com a Coreia do Sul, buscando a liberação do serviço militar nos Jogos Asiáticos. Assim, ele poderá atuar no mais alto nível desde a primeira partida da Premier League, o que pode ser crucial para uma necessária continuidade.


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Eletrizante, Lucas mostrou do que é capaz na goleada diante da Roma


Jogadores que evoluem abruptamente, de um ano para o outro, são recompensados em algumas ligas. Na NBA, existe o prêmio, ao final de cada temporada, de Most Improved Player (jogador mais evoluído). No futebol, provavelmente Mohamed Salah teria o vencido na temporada passada. Para a atual, se houvesse o prêmio, apostaria minhas fichas em Lucas. O cenário é favorável a ele, e quem mais tem a comemorar é o treinador.


Maurício Pochettino, desde que chegou ao Tottenham, demonstrou interesse habitual em pontas velozes. Em todas as janelas de transferência, sondou atletas com essa característica, como o sempre visado Wilfried Zaha, para o time. Tentou – e falhou – contratando Clinton N’Jie e Georges-Kevin N’Koudou. A solução, talvez, está em casa desde janeiro. Pochettino sabe disso. E os adversários que corram atrás para pegá-lo, porque não vai ser nada fácil.