Kieran Trippier: como o reserva de Walker virou o Beckham de Bury?

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Trippier começou a temporada como terminou a última: pegando fogo


No dia 14 de julho de 2017, Kyle Walker deixava o Tottenham para reforçar o Manchester City de Pep Guardiola. O jogador era o melhor lateral-direito da Premier League à época, logo, a tarefa de substituí-lo seria desafiadora. Para a função, os Spurs contavam com Kieran Trippier, que havia mostrado algumas qualidades, contudo (e claramente), não era suficiente. Suas performances substituindo Walker até eram satisfatórias - havia dado cinco assistências em somente 12 jogos na Premier League de 2016/17 -, mas a titularidade imediata do atleta parecia distante. 


A equipe precisava de algo a mais. Para isso, Levy foi à França e contratou o polêmico - e de qualidade destacável - Serge Aurier, então no PSG. O lógico seria ele assumir a titularidade assim que tivesse condições de jogo, com Trippier mantendo-se na reserva. Só que o Tottenham é tudo, tudo mesmo, menos lógico. O lateral inglês, que renovou o contrato desse período até 2022, surpreendeu a todos e provou-se um dos melhores laterais não só do seu país, como também do mundo - a Copa da Rússia que o diga.


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Pochettino confiou no lateral inglês, que não decepcionou


Não demorou muito para o salto homérico do camisa 2. Na primeira temporada como titular, a de 2017/18, tornou-se peça fundamental do esquema de Mauricio Pochettino. Com melhora considerável na parte defensiva, firmou-se rapidamente. Seus cruzamentos, de veneno já conhecido desde seus anos de Burnley, viraram uma arma letal. O esquema com três zagueiros dos Spurs fez inúmeras vítimas, muitas delas atônitas por conta dos incansáveis apoios de Trippier, atuando como ala. Não acredita? Pergunte ao melhor lateral-esquerdo do planeta.


Em 24 jogos, foram oito assistências e inúmeras chances de gol criadas a partir de seus cruzamentos, que estão, sem dúvidas, dentre os mais mortais do mundo. O lateral tem uma capacidade incrível de quebrar a cabeça de defensores com levantamentos venenosos. Por que ele não se aproveita desse talento em outras situações, como em cobranças de falta e em escanteios? Sinto em informar-lhe, mas ele começou a fazê-lo. Na Copa do Mundo, suas batidas foram o carvão do trenzinho de Southgate. Dos 12 gols da Inglaterra no torneio, nove foram a partir de bolas paradas - quatro a partir de seus pés. O treinador inglês optou por um esquema com três zagueiros justamente para explorar Trippier ao máximo. Com isso, deslocou Walker para a defesa, sinalizando quem senta, neste momento, no trono de melhor lateral do país. 


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Trippier foi um dos grandes nomes da jovem Inglaterra na Copa


O repertório de Trippier não para em cruzamentos e escanteios. Apesar da eliminação diante da Croácia, na semifinal da Copa, sua cobrança de falta estará na mente dos ingleses por muito tempo. Um golaço que se repetiu na estreia do lateral na temporada de 2018/19. Diante do Newcastle, tirou a bola da mão de Eriksen - até então o cobrador absoluto de bolas paradas dos Spurs -, e acertou o ângulo do adversário. Graças ao seu novo ponto forte, recebeu um apelido carinhoso: The Bury Beckham. Isso porque Kieran põe curvas como o Beckham e, em julho, recebeu a cidadania honorária - ou a "liberdade", já que os ingleses são meio românticos - de Bury, sua cidade natal.


Em 2014, Trippier surpreendeu na Championship, segunda divisão inglesa, quando terminou a temporada com 14 assistências pelo Burnley. Quatro anos depois, surpreendeu o mundo ao ser o melhor lateral da Copa. Ainda que aos 27, Kieran Trippier não atingiu seu auge: ele segue em plena evolução. Pode ser que, dessa vez, ele não surpreenda mais - só que aí será porque todos já sabem do que um dos melhores laterais da atualidade é capaz.