Grupo B: não seria “da morte” se não tivesse o Tottenham

O sorteio da fase de grupos da Champions League de 2016 deu um friozinho na barriga por ser o primeiro em meia dúzia de anos. Os Spurs jogariam com CSKA, Leverkusen e Monaco. E participariam da Europa League no mesmo ano. O não-podemos-passar-vergonha-novamente alimentou o nervosismo no mesmo momento em 2017. Aí vieram Real Madrid e Borussia Dortmund. E o time não pôs o rabo entre as pernas: foi o dono da melhor campanha na fase de grupos.


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Se há uma congruência, ela evidentemente é contrariada pelo Tottenham. Pegar um grupo tranquilo para uma tardia reestreia no torneio não é nada tranquilo. Encontrar um grupo da morte vindo de uma eliminação precoce significa morte, mas para os outros. O medo não é mais o protagonista do roteiro de 2018, e isso o diferencia dos torneios anteriores.


Antes de analisar os adversários, aproprio-me do que o progenitor deste espaço, Pedro Reinert, pontuou: o próprio Tottenham fez com que o pânico em relação a um grupo duro se esvaísse. A cada jogo da competição passada, o time subiu um degrau. Até mesmo quando, jogando melhor, caiu para a Juventus nas oitavas. A evolução entre 2016 e 2017 foi tão sonora quanto silenciosa: o que esperar, portanto, de um grupo com Barcelona, PSV e Inter?


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Tottenham de Son e Barcelona de Arthur serão responsáveis por grandes noites europeias


Chamamos de grupo da morte o conjunto de equipes que apresenta uma possível variabilidade em termos de classificação para as fases finais. Os times do grupo B possibilitam isso. O Barcelona dispensa apresentações. PSV e – principalmente - Internazionale jamais representarão equipes facilmente elimináveis. Os holandeses possuem um bom histórico de embates contra grandes times, enquanto os nerazzuri podem assustar assim que a equipe encaixar.


E o Tottenham? Bem, o Tottenham não corre por fora como o PSV, não pode surpreender como a Inter e tampouco dispensa apresentações como o Barça – contudo, dificulta-as. E é justamente isso que transforma o grupo em algo mortal.


O time de Pochettino irá longe - só não sabemos o quanto. Pode perder para Monaco e Leverkusen – e depois para o Gent – em casa. É um time que, evoluído, pode provocar olés antes dos 30 do segundo tempo contra o Real Madrid em Wembley. Hoje (e por causa disso), é loucura dizer que o Barcelona bateria os Spurs sem dificuldades. Ou que a equipe de Milão não brigaria por classificação.


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Tottenham e Internazionale foram do mesmo grupo na Champions League de 2010/11. Os ingleses terminaram na primeira colocação


O imprevisível motiva o grupo B. E o Tottenham é quem alavanca o sentimento. O histórico recente prova que até o Barcelona precisa ficar cabreiro – seu maior rival que o diga.


As redes do Camp Nou poderão ser balançadas por Kane. Outros grandes jogadores do mundo poderão ser entortados por Trippier. O Giuseppe Meazza se recordará do momento em que certo galês aposentou um dos melhores laterais do planeta. As noites europeias estarão de volta, torcedor – e o grupo permite que elas sejam vividas ao extremo.