De agora em diante, o exército de Son é outro

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Son não esconde sua euforia ao ser erguido por seus companheiros


Alguns jogos significam eliminações: os envolvidos se entregam de corpo e alma para que o time não fracasse. Outros significam ultimatos: “ou você joga bem, ou você nunca mais joga pela equipe". O futuro incerto assombra. Deixa as pernas moles, intimida.


A situação de Heung-Min Son era diferente. Exclusiva, na verdade. Seus companheiros até teriam outras chances, ele não. Se a sua Coreia do Sul fosse derrotada nos Jogos Asiáticos, nada mais importaria. Nem a desclassificação, nem o seu clube. Muito menos o futebol. Por 21 meses, Son teria de servir o exército sul-coreano, deixando de lado tudo que construiu até aqui.


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Seria um golpe brutal para um jogador que jamais deixou de sorrir. O mundo inteiro sabia disso. Por isso, na manhã deste sábado, milhões tornaram-se coreanos por um dia. O apoio anormal fez com que o competente Japão, outro finalista da competição, sucumbisse. Desde o primeiro minuto de jogo, estava claro quem triunfaria. E não precisou de carta alguma.


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Son foi chave para o resultado final, dando duas assistências na prorrogação


Ao longo dos 90 minutos, os coreanos dominaram o jogo; sempre pecando, porém, no último toque. Na prorrogação, o anseio se materializou justamente nos pés de Son. O capitão da seleção coreana buscou forças praticamente inexistentes a quem jogou seis jogos em 15 dias. Exausto, distribuiu duas assistências para os dois gols da Coreia, que selaram a vitória e o título. O Japão até descontou nos minutos finais, mas nada tirava a medalha de ouro de seus merecidos donos.


No apito final, Son não segurou as lágrimas. Em seguida, com a cabeça erguida, veio o sorriso.


As lágrimas de Heung-Min Son foram as lágrimas da liberdade. O choro de quem, antes, ao olhar para o futuro, via somente a escuridão.


O sorriso de Heung-Min Son foi o sorriso da conquista. A alegria de quem, agora, ao olhar para o futuro, vê somente um exército: o exército azul e branco de Pochettino.


Desde que o argentino passou a comandar os Spurs, o canto que compara a equipe com uma armada é entoado pelos torcedores. Nunca antes ele foi tão real. O Pochettino’s blue and white army receberá um reforço de peso pelo menos até 2023, como sinaliza seu novo contrato. Um guerreiro, renovado, com a armadura de número 7.


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Jogador de ouro


Por envolver o exército, a história, digna de filme, tem toques de heroísmo. Esqueçamos - por motivos meramente poéticos - que o coreano trabalharia num escritório, mexendo com papeladas. E se ele fosse aquele garoto que recebeu uma carta sem esperar?


Bem, a carta era de Pochettino. Agora, as armas de Son serão seus dribles. As bombas, seus chutes. O campo de batalha será o novo estádio - um dia ele vai ficar pronto, né? Por fim, o que sempre caracterizou o jogador ficará em evidência: seu sorriso.


Depois do susto, um novo Son vestirá as cores do Tottenham. Ele voltará fortalecido, com uma medalha de ouro no peito e com uma vontade: a de provar, mais uma vez, por que ele precisa do futebol. E, como consequência, por que o futebol precisa dele.