O Tottenham tem alguns dos melhores defensores do mundo - e eles precisam atuar como tais pelo alto

Imagine ter dois zagueiros entre os cinco melhores do campeonato. Some-os a um que, ao que tudo indica, estará entre estes em um futuro próximo. O presente e o futuro da defesa dos Spurs é lindo e poucos duvidam disso. Basta cruzar na área, no entanto, para desestabilizar o argumento. As exibições na temporada, até o momento, trazem insegurança e algumas perguntas.


Uma delas ecoa na cabeça dos torcedores: como é que, em uma semana, o sistema que parou o Manchester United em pleno Old Trafford sucumbiu diante da bola parada do Watford?


Getty Images
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Toby e Jan foram impecáveis diante do United. No jogo seguinte, nem tanto


No duelo em Manchester, com uma linha de quatro formada por Trippier, Alderweireld, Vertonghen e Rose, o Tottenham fez um jogo sólido – tirando alguns sustos na primeira etapa. O ponto fraco não foi por cima, foi na esquerda: Rose retornava depois de um bom tempo no banco e pareceu fora de ritmo. Para solucionar o problema no final de semana seguinte, Pochettino reforçou o setor. Colocou Davies na esquerda e ainda adicionou o colombiano Sánchez à linha de defesa para o jogo em Vicarage Road.


No primeiro tempo da partida, controle total. A vitalidade do jovem Davinson e a qualidade rotineira dos belgas anulavam os ataques do Watford. Bastaram dois cruzamentos na segunda etapa para mandar a segurança defensiva ralo abaixo. Deeney e Cathcart competiram para ver quem estava mais livre nas duas cabeçadas que selaram a primeira derrota dos Spurs na temporada. A marcação em bolas paradas não depende somente dos defensores, claro. Mas eles são grande parte do conjunto, que tem apresentado falhas desde a temporada passada.



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Os números são autoexplicativos. Na última Premier League, de acordo com uma pesquisa feita a partir de dados do WyScout, o Tottenham foi a segunda equipe que mais cedeu gols a partir de escanteios (7). A porcentagem de gols sofridos por cobrança foi a maior de todas: 4,38%. Ou seja: o time sofreu um gol para cada 23 escanteios defendidos. Ofensivamente, a fraqueza seguiu sendo evidente. Foram somente três gols marcados a partir da jogada na temporada. Após gritantes 82 cobranças, somente uma bola entrava – um baixíssimo (e segundo pior) aproveitamento de 1,22%.


Com quatro jogos na temporada de 2018/19, há avanços: dos nove gols marcados, dois foram de escanteio. Há, também – e por incrível que pareça -, descensos: todos os quatro gols sofridos foram a partir de cruzamentos – um deles depois de um escanteio. E as falhas não podem ser individualizadas: são erros coletivos, principalmente de posicionamento.


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Vertonghen não marcava na Premier League desde 2013 e anotou um gol logo na estreia desta temporada. Sinal de melhora na bola aérea da equipe?


As possibilidades de escalação quebram a cabeça de Poch. Atuar com a dupla belga e povoar o meio-campo funcionou contra o United, por exemplo, mas Davinson precisa atuar para ganhar uma necessária experiência. Os três zagueiros foram bem com a bola rolando contra o Watford, mas não encaixaram nas bolas paradas. A solução, porém, tem de vir rapidamente: uma boa sequência na Premier League significaria uma possível luta pelo título, e as grandes noites europeias da Champions League terão início em breve.


Se o Tottenham quer brigar por algo maior, precisa vencer times que tem como potência motriz de seus ataques os cruzamentos. Para isso, urge a figura de Pochettino, que precisa encontrar uma forma de consertar a marcação nesses momentos. As peças já existem e são ótimas. Falta o ajuste crucial - já faz muito tempo. Tomara que a derrota para o Watford ligue esse alerta.