Como de costume, o Tottenham perdeu para si mesmo

Getty Images
Getty Images

Vorm foi a personificação da insegurança dos Spurs na partida


Errar é humano. Errar mais de uma vez, contra um dos times mais perigosos da Inglaterra, é desumano. O Tottenham seguiu o seu já antes – e incessantemente - utilizado manual do fracasso e foi o único responsável pela derrota diante do Liverpool. Além de Vorm, claro. Uma atuação terrível, com erros a rodo e uma certeza: os Spurs precisam galgar muito para alcançar um patamar acima.


A escalação de Pochettino surpreendeu: com a ausência de Dele Alli, Harry Winks seria titular pela primeira vez na temporada. A troca de esquema se deu em outra mudança. Sánchez foi removido da defesa para a entrada de Dier. A "rotação" entre os dois tem sido comum em jogos de grande porte - o colombiano também foi preterido pelo inglês no jogo contra o United.


A estratégia de adicionar um terceiro volante à equipe enfraqueceu o ataque e, na teoria, reforçou o meio-campo. A esperança era de um time sólido, que poderia tanto marcar com duas linhas de quatro como atacar sem correr riscos. Poderia.


ESPN.com.br | Liverpool vence Tottenham com gol de Firmino e segue 100% na Premier League


Desde o momento em que a bola rolou, ficou claro que nada seria tão fácil quanto aterrorizar, além da torcida, a defesa mandante. O primeiro toque na bola de Firmino provou isso, mas a bandeira do assistente balançou junto com as redes. Sob a regência de Eric Dier, os Spurs entregaram a bola para o Liverpool contra-atacar por diversas vezes. Além disso, Rose e Trippier não tinham suas subidas acompanhadas por Mané e Salah – assim, a ausência dos laterais em ataques rápidos do rival era bastante sentida.


Por ineficiência do visitante, nenhum gol, durante o primeiro tempo, saiu de bobeadas dos Spurs em saídas de bola. O que de fato pesou foi a ausência do lesionado Lloris, e Vorm esbanjou sua insegurança por duas vezes no mesmo lance para garantir o primeiro gol dos vermelhos. Primeiro, um soco frouxo, e, depois, uma defesa bizarra. Coube ao relógio de Michael Oliver confirmar: uma falha horrível seria a responsável por inaugurar o placar.


Getty Images
Getty Images

Quatro gols sofridos nos últimos dois jogos: alerta ligado


Dominar a posse de bola não bastava para o Tottenham ter o controle do jogo. No início do segundo tempo, até pareceu aceitável que diagonais longas e ligações diretas pudessem colaborar com o ataque. Em um lance desses, Lucas Moura quase empatou a partida. Só que essa não é a característica do Tottenham - tampouco dos jogadores em campo. Assim, Kane foi pouco acionado, facilitando a defesa adversária. 


A aparente reação dos Spurs foi por água abaixo em outro vacilo do goleiro. Quando a bola sorrateiramente correu a linha do gol após jogada de Mané e fogo-amigo de Vertonghen, Vorm pareceu poder evitar o gol. E ele podia. Muito. Nada foi mais tranquilo, porém, que o encontro do pé de Firmino com a bola, sacramentando outro erro capital do goleiro holandês em gol.


Getty Images
Getty Images

Son foi claramente derrubado na área. O pouco merecido empate ficou mais perto do que deveria


Não adiantava buscar o gol, nem com as entradas de Lamela e Son: o Tottenham insistia em entregar a bola ao Liverpool, que só não matou o jogo porque foi displicente em praticamente todos os lances na cara de Vorm. O nervosismo dos Spurs era óbvio e caracterizou a reta final da partida. Menos nos acréscimos, quando Lamela marcou um golaço e Son foi claramente derrubado na área – mas nada tiraria a segunda derrota consecutiva do time na competição.



Curta o One Hotspur no Facebook



Sim, é triste perder para um concorrente direto ao topo da liga. Só que poderia ser ainda pior: não só pela goleada que foi evitada diante dos erros dos atacantes rivais, mas também pelo palco dessas pataquadas. A partida de hoje deveria simbolizar a inauguração do novo estádio dos Spurs.


Talvez quem planejou a obra tinha ciência do que ia acontecer no dia de hoje. No fim, um pouco da sorte foi nossa.