Na analogia de Pochettino, o Tottenham era a vaca

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Os Spurs repetiram seus erros e perderam pela terceira vez consecutiva


A derrota do Tottenham na estreia da Champions League não começou no golaço de Icardi. Nem quando Lamela saiu para a entrada de Winks. Tampouco quando a bola rolou. Quem acompanhou a entrevista de Mauricio Pochettino no dia que antecedeu o jogo já sentiu que o clima era de tudo – menos de vitória.


Primeiro, porque Poch justificou estranhamente a ausência de Alderweireld e Trippier, que se juntaram a Dele e Lloris e ficaram em Londres. De acordo com o argentino, foi uma decisão puramente técnica. Parece simples, mas é inconcebível deixar dois dos seus melhores jogadores de fora da partida em uma situação dessas.


Segundo, por conta da analogia cabalística apresentada pelo treinador quando questionado acerca da experiência da equipe. “[Experiência] é como uma vaca que, durante 10 anos, vê um trem passando em sua frente sempre na mesma hora. Se você perguntar à vaca: ‘Que horas o trem vai passar?’, ela não vai saber a resposta certa. No futebol é a mesma coisa", pontuou.


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As cinco alterações no time titular não trouxeram a vitória aos ingleses


Ninguém foi capaz de entender a metáfora – até o apito final da partida contra a Inter. O Tottenham já cansou de sofrer: perdeu incontáveis jogos importantes nos últimos anos e parece não aprender em cima de seus erros. Caiu na Champions League do ano passado ao perder de virada, em cinco minutos, para um italiano. Em mais um jogo importante diante de mais um italiano, a fórmula se repete. Lógico: a vaca a que Pochettino se referia é o próprio Tottenham.



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O comandante, a despeito da importância que tem no sucesso recente dos Spurs, tem grande parcela nessa animalização do time. A derrota de hoje é uma prova disso: o Tottenham fazia seu melhor jogo na temporada e pareceu melhorar ainda mais depois do gol de Eriksen. Pochettino tratou de complicar o cenário e mudou o esquema ao colocar Winks na vaga de Lamela.


Repetiu a formação com três volantes, que castigou o time diante do Liverpool. Ou seja, o treinador testemunhou a locomotiva de Klopp passar na frente de sua equipe por várias vezes, e, ainda assim, persistiu no erro em um jogo crucial para as ambições do time. Preferiu ser a vaca. 


O resultado da troca foi óbvio: a equipe parou de funcionar e viu a Internazionale virar a partida.


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A boa atuação e o gol de Eriksen não foram suficientes para assegurar a vitória


Não foi só Pochettino que errou: Dier seguiu mais inseguro do que o comum na saída da bola, Lamela desperdiçou duas chances claras e Kane parece mais cansado do que nunca. As boas atuações de Aurier e Eriksen não apagaram os pontos fracos, e tampouco a faísca de Lucas na reta final foi capaz de acender o time novamente.


Já passou da hora de Dier ser reserva - Wanyama está recuperado de lesão e é improvável que atue tão mal quanto o inglês. Kane precisa de um descanso, mas o reserva é simplesmente Llorente. Sobretudo, o 4-4-2 precisa ser extinto: funcionou em partes do segundo tempo contra o United e só.


Se os erros não pararem de ser repetidos – ou se o Tottenham seguir sendo a vaca -, a temporada será bastante longa.