Sánchez terá dois meses para responder se será um dos melhores defensores do mundo

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É a hora de Dao crescer contra grandes adversários


Davinson Sánchez é um zagueiro que destoa daqueles xerifões. Não impõe respeito na gritaria: suas emoções, normalmente, não são externadas. É calmo e frio. Há momentos em que essas características soam como defeitos; noutros, podem ser qualidades - e esse é um deles. O defensor, agora, terá a dura tarefa de substituir o melhor zagueiro dos Spurs: Vertonghen se lesionou e deve retornar somente em dezembro.


Mais do que nunca, Sánchez precisará de toda a frieza do mundo para demonstrar por que pode ser um dos melhores defensores do planeta.


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O holandês Matthijs De Ligt (ei, Levy) tem somente três anos a menos que Sánchez, contudo, já o vê como um espelho. “Fora das quatro linhas ele é humilde e quieto – um pouco envergonhado. Aí ele entra no campo e é tipo, ‘Nossa, o que é isso?’”. O defensor fez dupla com o colombiano no Ajax quando tinha 17 anos, e logo percebeu que se tratava de um talento raro. De Ligt também é um desses – talvez ainda maior, vai -, fato que enriquece ainda mais a sua declaração.


Não estou aqui para comparar potenciais, nem para prever qual dos dois zagueiros terá um futuro mais brilhante. A questão é que Dao, aos 22 anos, já realizou grandes feitos. Em 2016, com 19, conquistou a Libertadores com o Atlético Nacional, sendo peça fundamental do sistema defensivo da equipe de Reinaldo Rueda. Vendido ao Ajax, tornou-se titular rapidamente e ajudou o time a alcançar a final da Liga Europa de 2016/17.


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Sánchez tem potencial para ser um dos melhores defensores do mundo?


No Tottenham, o zagueiro já foi titular em grandes jogos – e vacilou em muitos desses. A instabilidade pode ter criado uma inquietação em quem, outrora, apostava todas as fichas no potencial dele. Davinson precisa provar a esses que eles não têm por que temer. Para isso, há características no seu jogo que ainda precisam ser lapidadas: uma maior segurança no posicionamento, por exemplo, elevaria sua confiança em partidas de grande porte.


O primeiro jogo sem Vertonghen foi uma bomba, mas provou a necessidade de melhoras: contra o Barcelona, o sistema defensivo inteiro demonstrou insegurança. Frente ao Cardiff, houve uma evolução: Dao não só foi sólido na defesa como participou do gol que deu os três pontos aos Spurs. São atuações como essa que o torcedor espera do defensor, e a tendência é que se tornem cada vez mais regulares.


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Davinson celebra gol de Dier contra o Cardiff - o colombiano ainda não balançou as redes pelos Spurs


A parceria do colombiano com Alderweireld raramente foi testada na temporada passada. Quando a equipe não jogava com três defensores, os dois costumavam revezar como zagueiros pela direita. É evidente que ambos precisam se entrosar rapidamente, e mais testes são necessários para responder isso. Duelos atípicos, como contra o time do melhor jogador do mundo - ou um dos piores times da Premier League -, não são o parâmetro ideal. A prova real se dará nos próximos dois meses.



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Até o meio de dezembro, o Tottenham enfrentará simplesmente Manchester City, Chelsea, Internazionale, Arsenal e Barcelona. Os dois duelos diante do PSV, pela Champions League, também devem figurar entre as grandes partidas listadas, já que sacramentarão o destino dos Spurs no torneio.


Chegou a hora de Sánchez provar por que muitos (inclusive o Pochettino) acham que ele tem tudo para ser um dos melhores do mundo. E os próximos dois meses podem medir a veracidade disso.