Heróis improváveis dos Spurs dão as caras na Champions League

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Gazzaniga, abraçado por Winks, foi um dos destaques do Tottenham na partida diante do PSV

É um equívoco dizer que somente as estrelas brilham. Talvez o brilho delas seja mais vistoso, mais emblemático. Há, no entanto, contextos em que a luz acaba surgindo de outras fontes.


Faltando 15 minutos para o fim do jogo, os Spurs seguiam atrás do placar. Um gol de De Jong, no segundo minuto da partida, dava a vitória para o PSV. O resultado de 1x0 eliminava o Tottenham da Champions League. O cenário se encaminhava para mais um vexame na história recente da equipe.


Um cabisbaixo Pochettino, sabendo da pressão existente, olhou para seu banco de reservas. Já colocara Lamela na vaga de Lucas, o que gerou vaias da torcida - o brasileiro estava atuando bem. Restavam poucas opções ofensivas. Uma, na verdade. É possível confiar em um centroavante com seis gols nos últimos 37 jogos? Para Poch, sim. Com a leveza - e o arranque - de um caminhão antigo e enferrujado, Llorente entrou em campo e foi um dos responsáveis diretos pelo resultado final. Os velhos também têm seu charme.


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Essa não foi a única decisão crucial do treinador. Com a expulsão de Lloris na partida anterior, na Holanda, alguém precisava substitui-lo. Eram duas as opções: Vorm ou Gazzaniga. Pode parecer simples, já que o primeiro tem uma relação amorosa com frangos. O segundo caiu na graça da torcida com atuações mágicas - optar por ele soava como o melhor a ser feito.


A inexperiência de Gazzaniga, contudo, poderia custar caro. O argentino de 26 anos nunca havia jogado uma partida na Champions League. Pochettino decidiu arriscar, e Gazza fez sua estreia na competição. Nenhuma escolha seria tão grandiosa quanto essa.


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O 2x1 deixa o Tottenham vivo na competição


Três minutos depois da entrada de Llorente, o gol de empate. Eriksen lançou na área e a bola encontrou ninguém menos que o espanhol. Ele escorou para Kane, que bateu firme, de canhota, no canto. Um gol caracterizado pelo antagonismo, a ser estudado: nada era menos óbvio que a ajeitada brilhante de Llorente, e nada era tão óbvio quanto a finalização espetacular de Kane. As (não) obviedades se uniram e fortaleceram os Spurs na busca pela virada.


O momento seguinte ao gol provou que Poch estava no seu dia e não se equivocou nas escolhas. Gazzaniga se esticou e defendeu brilhantemente um chute de Pereiro, permitindo que o segundo gol de Kane fosse o da vitória – e do alívio.


Por pouco, não foi diferente. Llorente poderia ter sido o grande personagem se tivesse marcado com uma cabeçada defendida por Zoet, que evitava, ali, o (inevitável) segundo gol. Já Gazzaniga escapou de ser o vilão: teve a audácia de driblar Lozano quando os Spurs ainda estavam atrás no placar. Não só acertou o drible como tirou toda a motivação do PSV, que sofreu os dois gols em sequência. Ah, e ensinou Lloris como se faz - principalmente se estiver em uma final de uma Copa do Mundo.


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Llorente, no fim, não é tão inútil assim


Os dois gols de Harry Kane deixam o time vivo na competição - o grande herói da partida foi ele. Além disso, seus números na Champions League melhoram cada vez mais. Kane tem uma média de gols maior que qualquer outro jogador na história da competição que atuou em ao menos dez partidas - são impressionantes 13 gols em 14 jogos. Para atingir o mesmo número de tentos, Messi precisou de 26 jogos e Cristiano Ronaldo de 49. Sério.


Outro Harry também foi destaque. Winks dominou o meio em seu terceiro jogo em seis dias - também atuou nos 90 minutos contra West Ham e Wolverhampton. Cada vez mais, ele prova que pode ser o titular da equipe. O inglês cresce em um momento importante: Dembélé se lesionou e só retorna em 2019. A partir de agora, ninguém receberá tantas chances quanto o camisa 8.



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Em momentos de lesões e suspensões, brilha quem não estava designado a brilhar. Por sorte, essa não é uma capacidade exclusiva de estrelas. Gazzaniga e Llorente são provas disso; e o fizeram em um grande palco. Quais serão os próximos?