A boa fase tem explicação: o Tottenham quer dançar o tango mais uma vez

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Baila baila comigo, mi amor


Alguns dos leitores devem se recordar da história de Ossie Ardilles e Ricky Villa com o Tottenham. Em 1978, ambos transferiram-se para o clube após serem campeões da Copa do Mundo com a Argentina. A relação entre seu país e a Inglaterra era terrível – tanto que provocou a Guerra das Malvinas, em 1982 -, o que, ainda assim, não evitou a construção da idolatria dos dois.


A história é incrível e, definitivamente, merece um texto para si (quem sabe um dia). No momento, contudo, o que conta é o tema: a harmonia entre argentinos e ingleses provocada pelos Spurs. A temporada atual é turbulenta por diversas razões, mas possui certezas. Como a importância do país sul-americano para a equipe de Londres.


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O treinador é argentino e disso todos sabem. Pochettino está à frente dos Spurs desde 2014 e, claro, tem boa parte na argentinização do clube. Desde agosto deste ano, porém, uma série de eventos tem reforçado isso tudo. Pode parecer coincidência, mas para mim é óbvio: o ritmo sincopado e sensual do tango cativou o Tottenham. E brilha quem traz o estilo no sangue.


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Em uma semana, Foyth estreou na Premier League, fez dois pênaltis em um jogo e marcou o gol da vitória


É tudo simultaneamente impressionante. Erik Lamela recuperou-se plenamente de uma lesão que o tirou de campo por todo o ano passado e tornou-se o vice-artilheiro da equipe. Paulo Gazzaniga foi de um irrelevante terceiro goleiro a um reserva crucial em grandes jogos. Juan Foyth não é mais um jovem que ganha experiência em jogos irrelevantes: foi chave na classificação diante do West Ham e marcou o gol da vitória na Premier League, somente um jogo após sua estreia na competição.


Não seria um absurdo dizer que eles são as três grandes surpresas da temporada no Tottenham. Além de Sissoko, claro - mas obras divinas não se discutem. Os gritos de 'Argentina! Argentina!', comuns na época de Ardilles e cia, parecem ter voltado a rasgar a garganta do torcedor. Se o time de agora triunfar como o dos anos 80, por que não contratar Messi, chamar o novo estádio de El Chorizo e dar um contrato vitalício ao Poch?  


Os argentinos adquiriram um protagonismo nos momentos em que a equipe mais precisava, e os últimos dois jogos são grandes provas disso. Na terça passada, Gazzaniga foi seguro e fez milagre na vitória pela Champions. No sábado, Foyth redimiu-se dos pênaltis contra o Wolves ao, além de não comprometer na defesa, marcar o gol que deu os três pontos ao time. Ah, e o Lamela? Ele tomou um pisão na cara e saiu de campo sangrando pra caramba – o que agrega um valor simbólico de luchar siempre y rendirse jamás, ou vai dizer que não?


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Juan, Paulo e Erik já rendem belas histórias na temporada do Tottenham


As boas atuações são respaldadas por Lionel Scaloni. O nonagésimo treinador da seleção argentina - desde o ano passado - convocou Foyth, Gazzaniga e Lamela neste final de semana. Por mais que estejam em fases distintas da carreira, é inegável que vivem grandes momentos.


O Tottenham ainda tem muito a ganhar com os três. O resultado dentro de campo tem sido amplificado recentemente, mas já é observado há tempos. Ao menos culturalmente: alguns jogadores sem quaisquer identificações com a América do Sul aderiram ao mate, ou chimarrão, sempre carregado pelos argentinos. Inclusive, Dele e Dier até repassaram a tradição aos seus companheiros de seleção inglesa na Copa.



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Nos anos 80, os argentinos eram os rivais dos ingleses no campo de batalha. Agora, é diferente. A guerra tem sido, além de branda, em outros campos: e os argentinos têm saído vencedores. O negócio é torcer para que tudo continue assim.