Tottenham não fez sete porque não quis - e jamais os desculparei por isso


Era pra ter sido uma goleada. Era pra ter sido a goleada, na verdade. A maior de todos os tempos. Seis, sete ou oito. Nove a zero, vai. O Tottenham empilhou chances contra o Chelsea – foram 18 chutes. Desses, ao menos nove saíram em chances claríssimas. Tudo isso pra tomar um gol da porra do Giroud e vencer somente por 3x1. Eu mereço.


Nos primeiros minutos do jogo, todos perceberam que vinha uma lavada. Os Blues de Sarri haviam se transformado, no mínimo, em um esforçado time da Sunday League: o primeiro gol era questão de minutos. O segundo também. Era natural que a rede balançasse mais e mais vezes – e ultrapassasse aquelas cinco, no 5x3 sobre o Chelsea de Mourinho em 2015. Parar em míseros três gols? Por favor.


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Son marcou um golaço, mas teve dó e perdeu vários outros


O torcedor dos Spurs queria ver um espetáculo. 3x1, em Wembley, o time faz no tricampeão europeu. Sem forçar muito, inclusive - como deveria ter sido hoje. O Tottenham forçou pra fazer só três. Cada passe falho de Jorginho era um o gol errado pelos Spurs. Esse foi o jogo em que Jorginho mais errou (e menos acertou) passes na temporada, diga-se. 


Não duvido que o Tottenham tenha aberto mão da goleada. Não sei vocês, mas eu consigo imaginar a equipe no intervalo. Emulando a Alemanha, contra o Brasil. Pochettino deu uma de Löw e, com aquele inglês bizarro – que nós amamos, claro –, certamente mandou um “no humiliation, lads”. O gol que o Kane perdeu após passe açucarado de Sissoko, que seria o quarto, é simbólico. A voz de Poch pedindo clemência deve ter ecoado na cabeça dele enquanto a bola chegava ao encontro dos seus pés. Algo foi combinado.


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Giroud cumprimenta Lloris, (obviamente) contemplado com o quão simpática à sua equipe foram os Spurs


O Tottenham ensaiou um passeio e terminou nisso aí. Ok, as sete chances magistralmente criadas por Eriksen podem até provocar um sorrisinho de canto. O sexto gol de Dele nos últimos cinco jogos contra o Chelsea também. O chutaço de Kane no segundo gol empolga um pouco, é verdade. E o que o Son fez com a defesa dos caras antes do terceiro gol? É pra ficar na história. A corrida que maltratou Jorginho e David Luiz - e se estendeu na comemoração - foi o ápice do coreano pós-fuga do exército.


A primeira derrota do Chelsea nessa Premier League? Eu aceito. Sissoko e Foyth indo pra casa com Kovacic e Hazard em seus respectivos bolsos também não foi uma má ideia. O Sissoko, aliás, parecia aquele irmão mais velho que resolve brincar com as crianças no playground e, diabolicamente, usa de sua superioridade física e psicológica pra tirar onda com os menores.


Talvez eu nunca perdoe o Tottenham por hoje, mas vou lembrar desse dia com carinho - amargo, claro.



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Um torcedor dos Spurs insatifeito mesmo depois de uma soberana vitória contra um rival parece meio estranho, né? Acostume-se, é uma nova era. O texto não foi tão sincero - óbvio que eu tô feliz pra burro. Só que ninguém dá bola pra um texto eufórico e exaltado em relação a um texto desses, cheio de ácido.


Até que é gostoso ser meio arrogante. Mas, pensando bem, 3x1 não foi tão ruim assim.