Afinal, quem precisa de Bale quando se tem Sissoko?

Sim, esse é o segundo texto sobre o Sissoko desde o mês passado. Não, o mundo não está à beira de um apocalipse ou algo do gênero. Quer dizer, ele até pode estar. No entanto, fique tranquilo: se algo der errado, o Sissoko nos salvará.


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Não é fácil explicar o que ocorre com Moussa Sissoko. A analogia do vinho que melhora à medida que envelhece até faria sentido, mas é mais forte que isso. É como se aquele vinho de nome genérico, comprado em qualquer loja de conveniência - e que vem em uma garrafa PET -, num estalar de dedos, se transformasse em um importado Cabernet Sauvignon de £30 milhões. E quem bebe dele diz que custou pouco.


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Sissoko é o símbolo da fase vitoriosa dos Spurs


O francês foi destaque, no final de outubro, de três jogos em sequência. Achei que era hora de entender por que ele estava relativamente bem em campo, e resolvi fazer um texto sobre. Arrependo-me não do texto em si, mas do título. A inabilidade era, na verdade, minha: não pude perceber como o jogador havia, de fato, evoluído.


Tá certo que, no mês passado, as atuações dele pareciam bem acima da média. Seu retrospecto desde que chegou ao clube, atráves de uma panic buy nos últimos instantes da janela de 2016, era realmente pífio. O pânico da compra o perseguiu até pouco - só que agora Sissoko aprendeu a não só espantá-lo, como também a transmiti-lo aos seus adversários. 

Pode ter sido o campeonato de Uno. Sim, de Uno. Por alguma razão, o jogo de cartas é febre no vestiário do Tottenham - eles até realizam torneios disso. Em um desses, em março deste ano, Sissoko sagrou-se campeão. O feito pode ter dado forças ao francês, que acabou sendo mantido na equipe (após sua saída ser dada como praticamente certa) e, agora, resolve jogos como se fosse o craque do time - e talvez, hoje, ele realmente seja.


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Contra a Inter, Sissoko foi novamente gigante


Ainda que não haja um limite de linhas aqui, digito com tranquilidade: faltarão linhas para elogiá-lo. Nos últimos 23 jogos em que Sissoko foi titular, o Tottenham perdeu somente uma vez. O efeito Moussa é tão bizarro quanto real. E talvez seja exatamente a bizarrice que torna ele tão especial.


O último jogo desses foi, talvez, o maior deles. Claro, a vitória contra o Chelsea foi incrível e ele foi fundamental para isso. Acontece que, contra a Inter, Sissoko matou dois coelhos com uma só caixa d'água: não só participou brilhantemente do jogo, fazendo a jogada para o gol da vitória, como ressignificou um canto da torcida. Ao entoar "quem precisa de Bale quando se tem Sissoko?", a torcida do Tottenham agia com sarcasmo. Agia.


Um dos momentos em que os Spurs mais precisaram de Bale foi justamente contra a Internazionale, em 2010. Ele correspondeu com corridas avassaladoras que deram a vitória ao time. Curioso, né? No lance do gol contra a Inter, Sissoko também arrancou pelo flanco - e também deu os três pontos à equipe. Quando resolverem cantar a paródia da banda Wham! em homenagem ao francês, os torcedores já sabem: é a mais pura verdade.



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Chegou um momento em que não há razões para ficar triste. Em alguns dias, Sissoko desfilará no Emirates Stadium, diante do Arsenal. E, depois, (eu até tremo em pensar nisso), o ápice. O cume do Monte Everest. O perigeu da Terra com a Lua. O encontro de Moussa e Messi, no Camp Nou. Faltam menos de 15 dias.

Ah, e por fim: perdão, Sissoko. Você sabe bem o porquê.