No fim, o Tottenham acabou silenciando a si próprio

Por Fernando Valverde


IMPRESSIONANTE A CAPACIDADE QUE ESSE TIME TEM PARA SER HUMILHADO, E DESSA VEZ EU FALO SEGURAMENTE. DEIXEI ISSO NO COMENTÁRIO DO GRUPO DO WHATSAPP E ESTÁ REGISTRADO NA HISTÓRIA DO FUTEBOL. O TOTTENHAM DEU O MAIOR VEXAME DE SUA HISTÓRIA. O TAL DO POCHETINHO É UM TÉCNICO DE V-Á-R-Z-E-A, LITERALMENTE DE V-Á-R-Z-E-A.


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What goes around...


A vontade de esquecer qualquer análise coerente e os bons para apenas PISTOLAR, como certo repórter fez, me domina. Mas dada a elegância de sempre do espaço, ainda que falte ódio ao meu amigo Henrique Letti com os tropeços desse time, é preciso manter o nível.


O gesto de Dier ao fazer o gol de empate aos 30 minutos da primeira etapa poderia ser visto como uma fincada de bandeira em território inimigo, uma mijada no poste, a consolidação do que vemos como uma nova era. De tudo que poderia ser, terminou sendo apenas patético.


O problema não é a coragem para peitar a torcida do rival e levar o dedo em riste pedindo por silêncio e respeito. O problema é o velho clichê de contar com o ovo no cu da galinha. E sabendo o tipo de jogador que é, Dier deveria lembrar da velha lição que Justin Timberlake nos ensinou em 2006.


Enquanto o Tottenham - e o torcedor que acompanha esse time bem sabe do que eu falo - encarava a batalha no Emirates com aquela sua velha postura de achar que o jogo se resolveria a qualquer momento, um Arsenal com o coração na mão soube suar sangue e achou em um baixinho sudaca os cojones que lhe faltavam. Com 1,66m de altura, Torreira foi a locomotiva de um time que no puro ímpeto engoliu a apatia do adversário e me causou inveja genuína pois seria o meia central que tanto precisamos.


Enquanto Sissoko tentava continuar sua deslumbrante e inesperada boa fase, Aurier, em dia que me fez lembrar as tardes em que eu sentava para ver Chimbonda, e Davies eram engolidos pela pressão de seus respectivos no lado adversário. Bellerin comeu o galês com farinha (coisas de baiano), e Kolasinac mais uma vez se mostrou um acerto para o lado vermelho do norte de Londres ao fazer o maluco, quase nunca beleza, provocar uma série de calafrios no torcedor durante as investidas contra seu flanco.


Sou fã assumido de Jan Vertonghen desde que o belga desembarcou em White Hart Lane. Mas aquele, que outrora foi o melhor zagueiro da Premier, me pareceu uma versão gourmet de Douglas Grolli (de longe o pior zagueiro que vi no meu Tricolor de Aço). Coube a Foyth carregar o rojão do setor. Aguentou? Claro que não. Se tiver juízo, Alderweireld, que assistiu do banco por opção técnica de Pochettino, desiste da ideia de desistir de sair.


“O KANE E O ERIKSEN SÃO OS MENOS CULPADOS, COITADOS, ELES SÃO GENTE BOA”. O Furacão até se tornou o maior artilheiro dos NLD durante a era Premier League mas isso é tudo que há pra se falar sobre ele. Já Alli andou em campo pensando nas partidas de Fortnite, na Black Friday da #LeoFortis (sua nova marca de bonés que devem fazer sucesso com agroboys), em hashtag’s do Instagram e em qualquer caralho que não seja jogar futebol.


Son, o único que fez lembrar a intensidade do time que massacrou os meritocratas na última rodada, foi erroneamente sacrificado pelo nosso Pardal. Mais uma vez, Pochettino observou passivamente a vontade de vencer de um time que não era o seu e mexeu no time (QUAL O PROBLEMA DESSE CIDADÃO COM SUBSTITUIÇÕES?) quando a vaca, aquela mesma que não sabia dizer o horário do trem, já havia ido pro brejo.


Muitas vezes o problema da arrogância é a ausência de uma avaliação da própria conduta em determinadas situações. Aquela voz na cabeça que te diz “será que devo fazer isso mesmo?” nem sempre te impede de fazer a bobagem e sacramentar a sua iminente derrocada. Ícaro flertou com sol para conhecer a queda. Eric foi pelo mesmo caminho. Flertou com o heroico e o icônico e no momento da comemoração - a sua foto já estava destinada a estampar a capa do meu Facebook. Pena que, ao fim, o único silêncio que Dier incutiu foi o seu.


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... comes around.