Tottenham engata a quinta marcha e entra de vez na corrida pelo título

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São oito gols nos últimos dois jogos somente nessa foto.


Eu até poderia iniciar esse texto com um sermão. Como destinatários, os que duvidaram dos Spurs na temporada. Os que, mais uma vez, não colocaram a equipe entre os postulantes à taça da Premier League. Seria contar aquela velha história do time que foi pisado, olvidado e injustiçado, mas que comeu quietinho e chegou lá.


Só que, se eu fizesse isso, estaria mentindo. E feio.


O leitor mais assíduo sabe que, em nenhum momento, estive otimista com a preparação do Tottenham para essa temporada. Ao final da última janela de transferências - e pra ilustrar o sentimento deixado pela crua e banal inocuidade de quem deveria reforçar o time -, citei em um texto, com a ajuda de um amigo, a banda Radiohead. Como quem encarnou o desalento das letras de Thom Yorke poderia, agora, tornar-se contra os críticos?


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É o momento, na verdade, do reconhecimento. De admitir o erro e, como tem ocorrido há quatro anos, de exaltar um argentino. As poções mágicas de Mauricio Pochettino evoluem a cada temporada, e os efeitos parecem fortalecer no mesmo pique. É a única forma de explicar o protagonismo que Sissoko adquiriu nos últimos tempos. Ou o hat-trick de assistências de Kyle Walker-Peters em seu primeiro jogo como titular nessa Premier League. Ou, sobretudo, a segunda colocação no campeonato ao término do primeiro turno.


Na falta de jogadores, Pochettino tem apostado em ingredientes táticos. É encantador como o time possui variabilidades no esquema. Em dois jogos, dois esquemas. Em quatro dias, duas goleadas. Apostou nas transições rápidas contra o Everton, formatando a equipe em um 4-3-1-2 – e, consequentemente, goleando por 6x2. Depois, frente ao Bournemouth, um clássico 4-2-3-1 ditou a calma que os Spurs precisaram ter para furar o bloqueio do rival e balançar as redes por cinco vezes.


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Ele é mágico, você sabe


Os incríveis 11 gols em dois jogos foram a pisada no acelerador que o Tottenham mais precisava. Serviram como aquela porrada vitoriosa que o Dominic Toretto deu em Paul Walker, no quarto Velozes e Furiosos. A diferença é que, na Premier League, o careca foi quem ficou para trás. O City de Guardiola mal viu a locomotiva de Poch passar, e, agora, quem segura?


Dá pra acreditar que não sejam os próximos adversários no Campeonato Inglês. Depois das duas goleadas, o Tottenham enfrenta Wolves, Cardiff, Manchester United, Fulham, Watford, Newcastle e Leicester. É uma sequência interessante, que pode render bons pontos para o time. Alguns dos duelos confundem-se com a janela de janeiro, então, não pisque - o próximo mês será insano.


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Com o elenco curto, jogadores jovens têm recebido oportunidades - e têm feito bonito


A corrida pelo título envolve rivalidades, e, sobretudo, um objetivo em comum: parar o invicto Liverpool. Essa não é somente uma tarefa do segundo e do terceiro colocados, mas também de todos da Premier League. Começa no final de semana, com o Arsenal. Uma vitória dos falsos nortistas seria interessantíssima, e deixaria os Spurs a três pontos da equipe de Klopp (se combinada com uma vitória do time sobre os Wolves).



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Os próximos 19 jogos prometem muitas emoções. O sentimento final pode ser de mais uma frustração, ou, quem sabe, de realização. É esperar - e torcer - para ver.