Sem Kane, o Tottenham está completamente ferrado

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A lesão de Kane veio no pior momento possível


As atuações dos Spurs - ora incríveis, ora péssimas - criaram expectativas no torcedor. Estava claro que o time não ia ganhar tudo, sempre tem um De Gea para fechar o gol e anular uma das melhores atuações ofensivas do Tottenham na temporada, né. Mas conquistar um título não parecia tão mais distante. O tempo verbal da frase anterior denuncia: algo impeditivo ocorreu. E esse algo ferrou definitivamente todas as perspectivas da equipe.


Quando a notícia de que Harry Kane só retornaria aos gramados em março veio à tona, o futuro do pretérito pisou, brutalmente, no seu irmão mais simples. O Tottenham não ganhará: ele ganharia. O que antes era uma ambição, agora, virou utopia. Sem Kane, a equipe precisa fazer milagres para ter resultados positivos.


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Pode até não ser novidade: essa é a quarta lesão ligamentar no tornozelo de Harry Kane. O problema é que as circunstâncias atuais tornam a situação pra lá de melancólica. Em outros momentos, Pochettino utilizou Son como o atacante – e o coreano respondeu muito bem. Só que agora ele foi para os Emirados Árabes Unidos, onde se disputa a Copa da Ásia, e deve retornar somente em fevereiro. Isso tudo em um período no qual o Tottenham disputará o segundo jogo da semifinal da Copa da Liga (e potencialmente sua final), os jogos de ida e volta das oitavas da Champions League e o clássico contra o Arsenal.


Son retorna para os jogos da competição europeia, o que é maravilhoso – ou nem tanto, para alguns. Contudo, até lá, é aterrorizador pensar no que pode acontecer. Llorente não é uma opção muito confiável, e será o único centroavante disponível nesse período. A tendência é que Pochettino não mais utilize o 4-3-1-2 – assim, pode pensar em retornar ao 4-2-3-1 com o espanhol, Dele ou até Lamela no comando do ataque. Os dois últimos já fizeram essa função, ainda que em breves momentos, o que pode ser tão recompensador quanto apavorante.


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Llorente, que terá 34 anos no mês que vem, pode pintar como o atacante titular


Lucas Moura também poderia entrar nessa lista de jogadores que não gostaríamos, mas precisaríamos como 9. Penso que emular o Napoli da temporada passada, com o brasileiro sendo o que era Mertens para Sarri, é uma ideia interessante. Acontece que isso obrigaria Poch a utilizar o glorioso esquema da árvore de Natal, o 4-3-2-1, e crer em uma mudança dessas no período em que a temporada se encontra requer esforço.


O complicado é pensar em tudo isso ainda tendo baixas no meio-campo. Sissoko saiu lesionado na dolorosa derrota contra o United, e Dembélé parece ter viajado à China para assinar com uma equipe de lá. Com os desfalques de Dier (que está perto de retornar) e Wanyama, sobram Winks e Skipp para o setor. Winks e Skipp. Eu até sugeriria improvisar o Foyth no setor, mas vai que alguém goste muito disso e o futuro melhor zagueiro do mundo tenha sua carreira desperdiçada jogando por ali.


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O desafio de Poch, sem Kane, é extremamente complicado


Ah, esqueci de falar do Janssen. É que o Pochettino também esqueceu dele: disse em entrevista recente que o jogador não está nos seus planos. Uma tristeza, pois ele até poderia quebrar um galho na centroavância. Ou jogar como segundo volante (teve algum torcedor que sugeriu isso, há uns anos, em um fórum da equipe, e virou uma piada no nível Ganso na zaga).



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Eu até tentei, porém quem realmente quebrará a cabeça são o treinador e seus auxiliares. Torço para que eles estejam iluminados. E que usem de muita criatividade, claro - porque agora isso é mais do que necessário.