No Tottenham, não há nada tão ruim que não possa piorar

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O Tottenham não precisou sair de Londres para sofrer a sua primeira grande frustração da temporada


Desde cedo, os Spurs ensinaram aos seus torcedores que, por mais terrível que a equipe esteja, é possível que isso seja multiplicado em um piscar de olhos. Dessa vez, não foi diferente. Não bastavam as lesões e os desfalques: agora, o time está desclassificado da Carabao Cup.


O cenário era caótico. A ausência de todos menos um componente do quarteto titular de ataque era alarmante. Rumo ao duelo diante do Chelsea, pela semifinal da Copa da Liga, o Tottenham marchava totalmente manco. Dado o cenário, nada era tão inevitável quanto uma performance ruim. E, por 45 minutos, foi exatamente isso que ocorreu.


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O passado não permitiu que fosse possível imaginar algo diferente. Dias antes, contra o Fulham, os Spurs pariram uma bigorna para conquistar a vitória. E a gente sabe que bigorna era das grandes só por ver quem participou do gol salvador, no último segundo do jogo: cruzamento do - nunca antes mencionado por aqui – Georges-Kevin N’Koudou e finalização de Harry Winks, que raramente pisa na área. Essa combinação é digna de um tento no Brasfoot. Exagerando muito, diga-se.


O que esperar de um time que depende de N’Koudou e Winks para vencer? Isso mesmo: nada. Tá, o gol de empate nesse jogo até foi marcado por Dele, com assistência de Eriksen. Só que o que balançou as redes também se lesionou, e deixou o dinamarquês caminhando sozinho, no Stamford Bridge, na avenida dos sonhos quebrados. A – péssima - referência ao Green Day não é em vão: o Tottenham, literal e possivelmente, teve mais um desejo despedaçado.


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Reflexo do Tottenham: Dier, ainda sem condições plenas de jogo, atuou nos 90 minutos e errou seu pênalti na disputa


O título, tão cobiçado (e esperançado), parece cada vez mais distante. Isso porque a conquista mais próxima foi pra longe. Longe mesmo, lá onde parou a bola do pênalti que Dier bateu. Os últimos 45 minutos do jogo deram esperanças falsas: quando Pochettino mudou a equipe para uma espécie de 3-5-2, Danny Rose voltou (mais uma vez) aos seus melhores dias e, junto de Eriksen e Gazzaniga (!), criou as melhores chances do time na partida.


Llorente, de cabeça, bateu Kepa e garantiu o que seria a classificação dos Spurs. Quando havia gol qualificado, nas regras antigas do torneio. Modificadas, acredite se quiser, nesta temporada. Tem algo mais Tottenham que isso? Talvez sim. Mais alguns jogadores saindo por lesão – Davies e Sissoko (que machucou a perna ao chutar o Aurier) – e um par de pênaltis ridiculamente batidos, que deram a classificação ao Chelsea.


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Sissoko - outro que jogou sem estar 100% - se lesionou da forma mais bizarra possível


Nesta sexta, porém, uma notícia alegre. Sim, alegre: o contexto atual atribui certa licença poética para que uma derrota possa ser assim tratada. Apesar de envolver mais uma infelicidade de mais um jogador do Tottenham, não comemorar é difícil. A Coreia do Sul caiu para o Catar, nas quartas da Copa da Ásia. Com isso, Son retorna à Inglaterra, e já deve estar disponível para reforçar o capengo Tottenham no jogo contra o Watford, daqui cinco dias.


Restam três competições para os Spurs: a FA Cup, a Premier League e a Champions League. O título só é palpável – ainda que bem pouco – na FA Cup. O jogo de domingo, contra o Palace, nos mostrará qual o poder de reação do time nesta competição centenária.



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Um alento é que, mesmo manco, o Tottenham tem conseguido alguns feitos, como alcançar seus melhores números na história da Premier League. O negócio é ver até quando ele seguirá sabendo lidar, ainda que mínima e porcamente, com essa manquejada.