Tottenham monta seu paredão e vai às quartas da Champions

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A união fez a força, e os Spurs se classificaram sem dificuldades


Referências históricas e religiosas à parte, o Tottenham virou uma espécie de Muro das Lamentações na semana passada. A temporada, que já havia alguns bons motivos para soar decepcionante, teve resultados que a tornaram, potencialmente, lamentável. São consequências de quando se colecionam derrotas para o Chelsea e, principalmente, para o Burnley. Isso deu brecha para desabafos de torcedores, e eu colaborei com um texto que poderia muito bem estar impresso e enrolado entre os tijolos dessa construção


Pois bem, esse muro, ao que tudo indica, foi meio que um sinal sobre o que nos entregaria o duelo da Champions League, contra o Borussia Dortmund. Dessa vez, contudo, nada de lamentações: somente um paredão, tão imponente quanto impenetrável, deu as caras. E não estou falando da Muralha Amarela do Signal Iduna Park.


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Com o resultado de 3x0, na ida, ao seu favor, a missão dos Spurs na Alemanha não era das mais complicadas. Os fatores que pesavam contra, além do (já instrínseco) histórico de amareladas do time, correspondiam ao Borussia. É uma equipe que não lidera o Campeonato Alemão por acaso. Possui talentos de sobra e um estádio que costuma trepidar os rivais. Pochettino, sabendo das condições impostas, não pensou duas vezes ao montar o seu próprio paredão - e o resultado disso, vocês já sabem.


Uma linha de cinco defensores formou o alicerce do muro. Perfeitamente escalonados e posicionados, Aurier, Alderweireld, Sánchez, Vertonghen e Davies foram protagonistas de uma das melhores atuações defensivas da equipe na era moderna. Não foi uma atuação perfeita de todos, longe disso. A questão é que, se as individualidades não funcionavam, o coletivo dava conta de consertar. E quando não era o coletivo, era o treinador: Poch alterou o 5-3-2 da equipe para um 5-4-1 no meio do jogo, recuando Son para a linha do meio, o que dificultou ainda mais os ataques do Borussia.


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Lloris e Davies combinam para salvar o Tottenham


Atrás disso tudo, como se não bastasse, havia uma muralha - de cor laranja e com a faixa de capitão no braço. Hugo Lloris foi milagroso quando exigido e não sustentou somente a defesa, mas também a equipe inteira. Suas intervenções na primeira metade do jogo sugaram as esperanças dos alemães e, ao mesmo tempo, deram confiança aos Spurs. Confiança essa que foi ostentada, nos primeiros minutos do segundo tempo, em um lance de genialidades.


A primeira delas veio do sistema defensivo, que teve a calma de colocar a bola no chão e entregar para Winks conectar o setor com o ataque. Depois, surgiram Sissoko e Kane. Primeiro, vamos deixar claro: permitir que o francês fique livre é um pecado, basicamente pedir para tomar um gol. Ele encontrou um passe cirúrgico para Kane, que se posicionava de maneira perfeita, aproveitando o espaço deixado por Akanji. Aí não tem nem graça: poucas coisas são mais brutais que Kane na cara do gol.


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Vertonghen teve mais uma atuação impecável (dessa vez, sem gols ou assistências)


Mais uma vez, o ataque foi eficiente: bastaram dois chutes na direção do gol para abrir o placar. Na soma dos duelos, foram seis chutes e quatro gols. É dessa precisão que o Tottenham precisa para alçar voos maiores - desde que ela seja, claro, aliada à uma defesa sólida. E disso não há do que se queixar. O sistema defensivo foi impressionante, e contou com Vertonghen e, principalmente, Lloris voando baixo.


O resultado é mais impressionante do que parece. Manter o clean sheet diante de um Cardiff City da vida, com 80% de posse de bola e tudo mais, é uma coisa. Outra é fazê-lo diante do líder do Alemão, em sua casa, tendo a urgência de precisar marcar no mínimo três gols. Os Spurs mostraram eficiência nos dois quesitos e vão para as quartas de final como um dos adversários a serem temidos.



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Ainda há muito a ser falado sobre a Champions League. No dia 15, o adversário do Tottenham será definido, bem como o chaveamento até a final. Pode parecer um sonho intangível, e que seja: o Tottenham está entre as oito melhores equipes europeias, e é de graça acreditar que ainda possa subir mais alguns degraus.