Diretoria do Vasco entra no 'fetiche argentino'

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Desábato, atuando pelo Vélez Sarsfield: o que explica sua contratação além da sua nacionalidade?


Em dezembro do ano passado, a atual diretoria – que se Deus quiser só permanece no poder até o próximo mês – prometeu um “presente de Natal” para a torcida na forma de um reforço de peso para o time. No fim das contas, veio o meia Escudero, que, além de não passar de uma lembrancinha para quem esperava um presentão, acabou sendo realmente a única contratação na qual o clube investiu em 2017.


(Parênteses: vale dizer que, apesar do presentinho digno de lojinha de R$1,99, a diretoria até que conseguiu se reforçar decentemente ao longo do ano, ainda que naquele esquema de empréstimos e jogadores livres no mercado. Tá cerdo que, agora, depois do elenco ter rendido mais que o esperado no Brasileiro teremos problemas para manter algumas peças importantes do elenco, mas, ainda assim, vale o elogio pelo trabalho feito.)


Eis que passado um ano e naquele que pode ser o último suspiro da atual gestão no comando do clube, aparece um novo argentino como primeiro reforço do time para o ano seguinte. Trata-se de Leandro Desábato, volante do Vélez Sarsfield, clube que ocupa hoje a 19ª posição (de 28 times) na Superliga Argentina. Em enquete no site Netvasco, 73% dos vascaínos aprovam sua contratação, comprovando o fetiche que a grande maioria dos torcedores do Brasil nutre por jogadores argentinos, mesmo os mais desconhecidos, como é o caso.


Desábato tem 27 anos, é profissional desde 2010, nunca jogou em outro clube na vida e, com o contrato terminando no Vélez, não parece contar com muito esforço do clube que o formou para uma renovação contratual.


Por conta disso, viria para o Vasco sem custos. Mas e aí? O esquema de contratações no clube agora é o “De graça, até ônibus errado”?


Uma breve análise sobre o que parece ser mais provável primeiro reforço vascaíno para 2018 é essa:










Fica a questão no ar: será que um volante, ainda mais com essas características, é a necessidade mais urgente para o Zé Ricardo? Ainda que Jean e Wellington não fiquem no clube, será que um centroavante (com a saída do Thalles e a eterna incerteza sobre a condição física do Luís Fabiano) não seria mais importante? Ou um lateral esquerdo, já que Ramon só volta em abril? Ou mesmo um zagueiro, já que é quase certa a saída do Paulão e sabe-se lá se conseguiremos manter Breno no elenco?


Desábato, pelo que se diz, é um jogador mediano e que, mesmo vindo sem custos, provavelmente terá um salário mais polpudo que outras opções no mercado latino-americano. Fazer esse tipo de contratação agora, existindo a grande possibilidade de acontecer uma troca de gestão, é mais uma irresponsabilidade da (por ora) atual diretoria.


Achar que um volante se sairá bem apenas por ser argentino e – supostamente – ter aquela raça hermana que parece ser natural aos hermanos é aceitável para quem é torcedor. Para uma diretoria, cair nesse fetiche argentino gratuitamente é algo que não se pode perdoar.