Com emoção e sem futebol, Vasco bate o Macaé

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Riascos extravasa ao comemorar seu gol, que garantiu a vitória sobre o Macaé (imaginem quando ele marcar um gol na Libertadores)


Só mesmo uma atuação muito ruim do Vasco para fazer com que uma partida com o Macaé tivesse alguma emoção. Mesmo começando a partida com os titulares e jogando em casa, o time do Zé Ricardo penou para vencer o time da Região dos Lagos por 2 a 1, com o gol da virada saindo apenas aos 50 minutos do segundo tempo.


Para chamar o primeiro tempo de terrível, é preciso ter muito boa vontade. Foram 45 minutos de disputa entre um time que não queria jogar contra outro que não conseguia fazer nada. Acabou que o Macaé, vindo com o objetivo claro de não perder e, quem sabe, fazer uma graça num contra-ataque, foi mais feliz na etapa inicial, marcando seu gol em um lance que deve ser gravado e sempre mostrado como exemplo de como um time não deve se portar em campo. O Vasco exibiu uma falta de atenção e de comprometimento com o jogo que não poderia ser justificado nem em um jogo-treino com os reservas do sub-15.


O segundo tempo foi melhor, o que não chega a ser vantagem dada a indigência do futebol apresentado nos primeiros 45 minutos. O Vasco passou a pressionar o Macaé, que se fechou ainda mais. A tática só deu certo por nove minutos, até Henrique acertar um belo cruzamento e Andrés Ríos marcar de cabeça.


Depois disso, o que vimos foi um time segurando o empate com todas as suas forças – incluindo muitas faltas e muita cera – e os donos da casa tentando virar o placar mais na empolgação que na qualidade do futebol. Substituições foram feitas, novos jogadores entraram em campo e nada da bola entrar na rede. Só no último minuto dos acréscimos, veio a virada: Thiago Galhardo cobrou escanteio e Riascos – que precisou se abaixar para cabecear a bola – fez o gol da vitória.


A partida contra o Macaé poderia servir para dar mais ritmo aos titulares e para melhorar nossa situação na classificação da Taça Rio. Mas no fim das contas, é inevitável pensar que fizemos muito pouco: os titulares do Zé Ricardo, os mesmos que vão encarar o grupo mais complicado da Libertadores, não conseguiram furar a retranca do OITAVA colocado do Carioquinha, penúltimo do seu grupo na competição e que no primeiro turno só venceu UMA partida (aliás a única na qual não sofreu gols em todo Estadual). Alegar que estamos no início da temporada, que o time ainda está se conhecendo ou que a cabeça dos jogadores está na Libertadores não serve como desculpa.


Uma partida como essa, com um time que pretende fazer algo além de figuração na Liberta, tinha que ter goleado o Macaé e ter assumido a liderança pelo saldo de gols. Ficar em segundo, tendo o Flamengo já jogado um clássico, não é uma posição tão confortável assim. Mesmo que o Estadual não seja a prioridade, o Vasco precisa mostrar mais serviço na competição. Caso contrário, as emoções que o time promete nos proporcionar na Libertadores podem não ser das melhores…



As atuações...


Martín Silva - com a vacilada generalizada da defesa no lance do gol do Macaé, nem teria como responsabilizar o Martín de alguma forma. No resto do jogo praticamente não trabalhou.


Yago Pikachu – contra um adversário que apenas se defendeu, não teve problemas pela sua lateral. Mas mesmo tendo bastante presença ofensiva, não conseguiu ser efetivo.


Erazo – pra quem mal consegue emular um Odvan, encorporar um Gérson não tinha como dar certo. Suas várias tentativas de lançamentos e esticadas de bola só tiveram um resultado: irritar a torcida.


Paulão – quando precisou ajudar na saída de bola, mostrou sua falta de intimidade com a pelota. Tentou fazer uma graça no ataque, mas não conseguiu se criar.


Henrique – deixado na podre no lance do gol macaense pela falta de cobertura, acabou levando uma bola nas costas. Mas compensou com um belíssimo cruzamento para Andrés Ríos fazer o gol de empate.


Leandro Desábato – no primeiro tempo poderia ser mais presente ajudando na saída de bola, o que acabou acontecendo na etapa final. No combate, não chegou a ter problemas.


Wellington – sabe-se lá onde estava com a cabeça, mas certamente não era em São Januário. Seu trote desinteressado – enquanto um monte de jogadores do Macaé corria pra nossa área – no lance do gol adversário foi o resumo da sua atuação. Deu lugar ao Thiago Galhardo, que entrou quando o Vasco já estava imprensando o Macaé e não conseguiu desenvolver muito bem suas jogadas. Mas no fim das contas, acabou sendo vital para a vitória, cobrando o córner que originou o gol da virada.


Wágner – poderia ter feito muito mais contra um adversário tão frágil, mas sua lentidão não ajudou o time a encontrar os espaços na retranca macaense. Se machucou e deu lugar ao Riascos, que não deixou de brigar com a bola, mas criou boas chances e ainda acabou como o herói do jogo, marcando de cabeça aos 50 minutos do segundo tempo.


Evander – perdeu um gol feito em cada tempo e irritou a todos com várias cobranças de falta pra lá de equivocadas. Mas não há como reclamar do garoto, o único que teve capacidade para tentar algo fora do óbvio.


Paulinho – dizem que a garotada oscila e ontem foi o dia do Paulinho ter uma atuação ruim. Pouco acionado, não conseguiu fazer muita coisa. E ainda iniciou o contra-ataque que resultou no gol do Macaé errando com um passe errado. Rildo que foi importante para o Vasco aumentar a pressão sobre o adversário e teria nos feito ficar com um saldo de gol melhor, se o Riascos tivesse aproveitado uma das duas bolas açucaradas que Rildo lhe passou.


Andrés Rios – apanhou da bola durante todo o jogo, fez escolhas equivocadas, jogadas infrutíferas. Mas fez um dos gols (ainda que tenha cabeceado em cima do goleiro, aparentemente tentando perder um gol feito) e é pra isso que ele é pago.