Um Vasco fraco, mas comovente

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Mostrando uma disposição incrível para um veterano, Wágner manteve o Vasco vivo na Libertadores



Paulinho se foi. No estaleiro estão Breno, Ramon, Geovanni Augusto e Kelvin, que se não são craques, seriam facilmente titulares no time que vem jogando. E se com esses jogadores à disposição disputar uma Libertadores seria muito complicado, atuar sem eles torna tudo ainda mais difícil.


E foi isso que vimos, pelo menos no primeiro tempo, no 1 a 1 entre Vasco e Racing. Precisando muito da vitória e jogando diante da sua torcida, o que vimos foi um time que não tinha capacidade de impor seu ritmo à partida. Quem visse apenas o que acontecia no gramado, poderia jurar que os donos da casa eram os argentinos. O Racing controlava a partida, fazia uma marcação alta e tudo o que o Vasco conseguia fazer era eventualmente ultrapassar a intermediária adversária e cruzar para área, não necessariamente havendo atacantes por lá.


O gol que sofremos foi um resumo do primeiro tempo: um escanteio pra gente, o Racing fica com a segunda bola depois da rebatida (e eles ganharam TODAS as segundas bolas nos primeiros 45 minutos), parte pro contra-ataque, a reposição defensiva não foi eficiente e pimba, Racing na frente. Diante do futebol fraco e pela falta de opções no banco, era difícil crer que o Vasco conseguiria reagir na partida.


Mas aí veio o segundo tempo.


O papo com o Zé no vestiário fez o time voltar mais atento e com mais pegada na marcação. É claro que contamos com uma certa ajuda do adversário, que parecia satisfeito em controlar a vantagem e esperar os contragolpes. Aos 12, tudo fica pior: Desábato, o melhor da defesa, leva o segundo amarelo e é expulso.


O que poderia ser o último prego no caixão, inesperadamente, se tornou a chave para a mudança na partida. O que poderia ter abatido de vez o time, fez com que o Vasco se empenhasse ainda mais. E na base do “vamo-lá-que-dá” o time, quem diria, passou a pressionar o Racing. O abafa acabou dando resultado: aos 35, Wágner aproveita o rebote do goleiro após chute do Rios e empata a partida. O Vasco ainda seguiu pressionando, mas não conseguiu a tão esperada virada. 


O empate, buscado na superação e na raça – já que a técnica nos falta – nos mantém vivos na Libertadores, ainda que por aparelhos. É o tipo de resultado que, apesar de não ser o ideal, motiva os vascaínos por um motivo simples: o torcedor até admite ver uma derrota, mas falta de disposição NUNCA. Não jogamos bem, o Racing poderia ter vencido – e teve chances claras para fazer mais um ou dois gols – e as limitações do time são muito evidentes. Podemos não chegar às oitavas da Libertadores, mas uma coisa é certa: o que falta de qualidade a esse Vasco do Zé Ricardo, sobra em entrega e respeito à armadura cruzmaltina. E essa atitude comove qualquer torcedor.


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Thiago Galhardo foi outro a se destacar no time, principalmente no segundo tempo


As atuações...


Martín Silva – quase evitou o gol do Racing e mostrou segurança em todo jogo. Fez uma defesa espetacular no segundo tempo, impedindo o que seria um gol certo do Racing.


Yago Pikachu – dessa vez jogar na lateral não ajudou o jogador, que teve uma atuação muito discreta, principalmente no primeiro tempo. Melhorou um pouco, na base da garra, depois que o Vasco passou a jogar com 10, quando chegou a finalizar uma vez com perigo.


Paulão - com ele em campo, sempre há o risco do torcedor ter um ataque cardíaco. Mas não chegou a comprometer.


Werley – é zagueiro-zagueiro, não dá pra esperar lances de categoria, mas está em melhor fase que o Erazo. Até porque parece compreender suas limitações.


Henrique – irregular, deu umas vaciladas na defesa e errou muitos passes, mas nem de longe foi tão mal quando no jogo na Argentina. Tem caído de produção, inclusive no apoio.


Desábato – vinha sendo um dos melhores do time, mas desde o começo da partida confundiu disposição com rispidez. Escapou de ser expulso ainda no primeiro tempo, mas não se livrou do vermelho, ainda nos 12 minutos do segundo tempo.


Wellington – não tivesse errado a quantidade de passes que errou e perdesse o monte de bolas que já estamos acostumados a ver, sua participação no lance do gol do Racing já teria afundado sua atuação: estava metros à frente do Lautaro Martinez e permitiu que o atacante argentino chegasse na área sem esboçar qualquer reação. Quando tentou impedir o chute – já no rebote – não poderia fazer mais nada. A paciência do Zé Ricardo com o jogador é inexplicável. Há algum tempo, aliás. Deu lugar para o Riascos, que entrou para tentar fazer o abafa contra o Racing, mas apanhou tanto da bola que se um promotor do STJD viu o jogo, pode pedir uma punição para a pelota.


Thiago Galhardo – começou como titular, mas foi tão discreto na etapa inicial que praticamente não foi visto em campo. Acabou comprovando a fama de jogador de segundo tempo, melhorando e levando junto o time. Iniciou a jogada do gol de empate. Cansou no fim e deu lugar ao Fabrício, que pouco fez além de cobrar uma falta sem muito perigo. Pelo menos não arrumou confusão enquanto esteve em campo.


Wágner – vive sua melhor fase no Vasco. Quando não dá pra fazer as coisas na técnica, mostra uma entrega que até surpreende pela idade e porque não dizer, pelo histórico do jogador. Correu o jogo todo e foi recompensado com o gol que ainda mantém o Vasco respirando na Libertadores.


Rildo – corre, mostra empenho e luta o tempo todo. Mas não acertou quase nada, sendo incapaz de concluir as jogadas que tentou criar. Cansou e deu lugar ao Bruno Silva, que entrou para recompor o meio de campo quando o Vasco, ao tentar pressionar, passou a dar muitos espaços para o contragolpe. Começou nervoso, errando passes simples, mas depois ajudou a fechar um pouco o meio de campo.


Andrés Ríos – longe de ser um centroavante digno das tradições vascaínas – até porque nem é centroavante – mas cada vez mais mostra que na disputa com Riascos, não tem como ñao merecer a titularidade. Corre o tempo todo, ajuda na marcação, segura a bola no ataque e, ainda que não seja um primor nessas funções, tem ajudado o grupo. O gol vascaíno saiu de um rebote após uma finalização sua.