Mais uma vitória de um Vasco bipolar

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Kelvin, depois de onze meses no estaleiro, estreia no Brasileirão e marca seu primeiro gol com a camisa do Vasco


Vasco e América-MG acabou por se transformar em mais uma demonstração da bipolaridade do time do Zé Ricardo. Uma espécie de “complexo de fênix”, no qual a equipe precisa morrer num primeiro tempo ridículo para renascer no segundo como o time da virada. Fomos mais uma vez testemunhas desse Vasco com dupla personalidade no 4 a 1 de ontem na Colina.


Mas o pior é que, aparentemente, o Vasco do Zé precisa mesmo começar com um monte de jogadores mais ou menos, sofrer durante 45 minutos para, na etapa final, mostrar serviço e conseguir a virada. Quando começamos com Rafael Galhardo na lateral e Pikachu no meio, sempre passamos por um perrengue no começo, mas as alterações do Zé Ricardo resolvem as coisas na etapa final. Quando o time titular é mais parecido com o time que terminou o jogo de hoje, geralmente jogamos mal nas duas etapas e perdemos. As vezes, por goleada.


Talvez seja algo que possa ser explicado por psicólogos. O que acontece em campo é mais fácil explicar: por sorte, depois do Thiago Galhardo fazer um pênalti infantilíssimo e se machucar, Bruno Cosendey entrou e não apenas deu conta do recado como fez boa dupla com Caio Monteiro, que há algum tempo devia uma apresentação decente. Eles não chegaram a se acertar na primeira etapa, mas no tempo final trocaram gentilezas e cada um fez um gol com assistência do outro.


Outra boa surpresa foi o desempenho do Kelvin, que depois de quase um ano sem atuar, ajudou a mudar a cara do time. Foi outro a fazer um gol e uma assistência, a primeira numa grande jogada e o segundo mostrando muita inteligência.


A vitória por goleada, mesmo que tenha sido necessário mais uma vez virar um placar adverso, foi boa não apenas por nos manter numa boa colocação e confirmar o bom início de Brasileiro. Mas também para desanuviar o clima pesado que a política trouxe ao clube. Seria bem melhor vencer sem correr riscos, abandonando de vez essa fixação por viradas. Mas antes um Vasco bipolar que vença que um Vasco que jogue mal os dois tempos e perca.


As atuações....


Martin Silva – uma ou outra defesa, mas no geral teve pouco trabalho. E como o gol do Coelho foi de penal, nem podemos culpar o goleiro.


Rafael Galhardo – até tentou ser mais presente no apoio, mas não tem o menor traquejo pra coisa. Não acertou praticamente nada que tentou. Deu lugar ao Wagner, que se não chegou a fazer a diferença na criação, foi importante cadenciando o jogo quando a partida ficou mais tranquila.


Paulão – uma partida em que o Vasco tomou um gol e o zagueirão não teve culpa já seria motivo de elogios. Mas Paulão não fez só isso: além de uma atuação segura, iniciou a jogada de dois gols com – PASMEM! - lançamentos precisos para o ataque.


Werley – não sofreu muito com o ataque do time mineiro. Mas podia caprichar mais nas saídas de bola, quando errou alguns passes.


Henrique – quanto mais o Ramon parece estar voltando, mais o Henrique se afunda na discrição. Se não repetiu algumas atuações tenebrosas que teve nos últimos jogos, também não fez nada que merecesse elogios.


Desábato – o cruzamento perfeito para o gol do Kelvin foi o bastante para lhe garantir elogios. Nas suas funções defensivas foi bem.


Wellington – uma coisa não podemos deixar de reconhecer: se há um jogador que não se abala com vaias é o Wellington. Perseguido pela torcida desde o primeiro minuto de jogo, não chegou a mostrar um nervosismo que fatalmente o faria errar mais que o normal.


Yago Pikachu – uma atuação discreta do Pokemón vascaíno, tanto quando estava na meiuca, como quando voltou para a lateral.


Thiago Galhardo – no pouco tempo em que esteve em campo, só conseguiu fazer um pênalti idiota e se machucar mesmo tendo feito a falta. Deu lugar ao Bruno Cosendey, que teve uma boa atuação, criando espaços para os companheiros e fazendo boas jogadas. Marcou um gol e fez uma assitência.


Caio Monteiro – depois de um primeiro tempo fraco, deu a volta por cima na etapa final, assim como Cosendey, marcando um gol e dando assistência para outro. Deu lugar ao Kelvin, que fez um pandemônio na zaga americana e também fez um gol e outra assistência.


Andrés Rios – os gols vem aparecendo e o argentino parece criar mais confiança a cada partida. Marcou mais um ontem, depois de excelente jogada do Kelvin pela direita.