Na despedida da Libertadores, o Vasco age como Vasco e vence

www.vasco.com.br
www.vasco.com.br

Pikachu, do alto do seu metro e meio de altura, garantiu com um gol de cabeça a vaga na Copa Sul-Americana


Após a derrota do Vasco para o Cruzeiro em São Januário, pela Libertadores, um jornal carioca desencavou uma estatística que, pelo ponto de vista do editor do veículo, merecia ser a manchete de esportes do dia: o time do Zé Ricardo estava prestes a fazer a pior campanha de time brasileiro na competição continental. Depois de duas goleadas, apenas dois pontos em cinco jogos e com os problemas que o clube enfrenta, o tom da notícia era mais que premonitório. Era praticamente um fato que só precisava se confirmar.


Mas se o futebol permite que coisas surpreendentes aconteçam, quando se trata de Vasco, as surpresas são ainda mais comuns.


Sem vitórias na fase de grupos, com apenas um gol marcado (e em São Januário), ninguém apostaria que o Vasco vencesse fora de casa. Vaga na Sul-Americana então, com a necessidade de fazer dois gols, quase ninguém apostaria.


E nessa, um monte de gente perderia dinheiro.


Claro que é preciso ressaltar a fragilidade do adversário. Vendo a partida feita pela La U ontem, é inexplicável a derrota que tivemos para o time chileno em casa. Nosso adversário, é impossível negar, era muito fraco.


O que não tira os méritos da atuação vascaína. Jogando com inteligência e, tão importante quanto, calma, soubemos segurar as tentativas de pressão da Universidad e fomos ao ataque sem afobação. Assim, saiu nosso primeiro gol, quando os espaços surgiram, com um belo passe em profundidade do Wagner para Rios chutar e o goleiro deixar o rebote nos pés do Bruno Silva, que, infiltrando a área, só teve o trabalho de empurrar a bola para a rede.


Veio o segundo tempo e o Vasco continuou jogando com paciência, resistindo aos avanços dos donos da casa. Com o passar do tempo, começamos a atacar mais. Mas o segundo gol acabou saindo em um lance inusitado: lançamento do Martín Silva direto para a área da La U, zagueiro e goleiro batendo cabeça e o pequeno Pikachu usando a sua para encobrir o goleirão e marcar.


Nos minutos finais passamos algum sufoco, mas nada que chegasse a dar trabalho para Martín Silva. Vasco 2 a 0, não apenas acabando com a história de pior campanha na Libertadores, mas ainda garantindo uma vaguinha nas oitavas de final da Sul-Americana.


O prêmio de consolação inesperado não chega a apagar a péssima campanha que fizemos. Mas como eu tinha falado ontem, a terceira colocação e a vaga nos faz sair de cabeça erguida da Libertadores. Mesmo longe de apresentar um futebol à altura da nossa história, ontem, o Vasco foi Vasco, ainda que na nossa última partida na competição.


www.vasco.com.br
www.vasco.com.br

Encarnando seu sósia Luis Fabiano e marcando um gol de oportunismo, Bruno Silva deu início à vitória vascaína



As atuações…


Martín Silva – Só precisou fazer uma grande defesa, com os pés, em chute do Pinilla, ainda no primeiro tempo. Na falta de trabalho na sua trave, fez a “assistência” para o gol do Pikachu.


Rafael Galhardo – uma das atuações mais irritantes de um jogador do Vasco em muito tempo (e olha que estamos numa fase terrível) errando tudo o que tentou. Mas, nos minutos finais, acabou sendo importante com cortes e chutões providenciais na defesa. Mas não foi o bastante para lhe tirar o título de pior do time ontem.


Breno – precisou de três jogos para voltar a ter uma grande atuação. Soberano na área, bem na saída de bola, no combate e nas antecipações.


Werley – bem acompanhado na zaga, cresce de produção. Foi importante cortando algumas bolas cruzadas à área.


Fabrício – fez o simples e não “amassou a bola”. Jogou com seriedade e, se não foi tão presente no apoio, cumpriu bem seu papel defensivamente.


Desábato – arriscou uns lances de “habilidade” desnecessários no começo do jogo, mas tirando esses momentos de exibicionismo, foi bem.


Bruno Silva – ajudou a fechar os espaços no meio de campo e errou menos passes que nas suas últimas partidas. Mas só o gol que fez no primeiro tempo, encarnando o sósia fabuloso, já lhe garantiria um lugar de destaque no jogo. Cansou e deu lugar ao Kelvin, que não chegou a criar chances de perigo, mas atazanou a defesa da La U.


Yago Pikachu – vinha sendo muito discreto, justo em uma partida que dependíamos muito de qualquer traço de qualidade do time. Até que sua estrela nesse ano voltou a brilhar e marcar o gol da classificação.


Wágner – o melhor do time, foi o responsável pelas principais jogadas do time e ainda ajudou muito na marcação. Deu o passe que originou o lance do primeiro gol e quase marcou outro.


Caio Monteiro – só não passou em branco na partida porque armou um contra-ataque para a La U ao tentar uma caneta quando estava no ataque. Deu lugar ao Riascos que quase marcou um gol de cabeça, perdeu um outro feito por falta de capacidade intelectual e quase foi expulso pela segunda vez seguida.


Andrés Rios – com a estratégia empregada pelo Vasco, acabou não recebendo muitas bolas. Mas em uma das poucas que chegou aos seus pés, fez a finalização que terminou com o gol do Bruno Silva. No fim, foi substituído pelo Erazo, que entrou pra segurar o resultado e não teve tempo para fazer nenhuma besteira.