Vasco perde o clássico e também seu treinador

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Zé Ricardo chegou ao limite com derrota para o Botafogo: seu pedido de demissão chega em um péssimo momento


Antes da derrota do Vasco para o Botafogo se concretizar, fiz o seguinte comentário no meu Twitter: 




Mesmo pensando dessa forma, o pedido de demissão do Zé Ricardo me pegou de surpresa. Há de se respeitar o sentimento que o ex-treinador vascaíno de estar “dando murro em ponta de faca”: não é fácil trabalhar duro e ver todo o empenho não dar resultado. Assim como não deve ser fácil sofrer a pressão da torcida, que diante de uma fase ruim que parece não ter fim, ser considerado o maior responsável pela queda de rendimento do time.


Mas todos sabem como as coisas funcionam. Alguém tem que ser o culpado, e no país dos técnicos de futebol, o treinador é sempre o primeiro a pagar o pato.


Considero injustiça da torcida pedir a cabeça do treinador, apontar suas falhas – que sim, aconteceram, mas a maioria não era culpa exclusiva do Zé e as que eram foram muito aumentadas pela torcida – e ignorar o desmonte que o time sofreu do ano passado para cá, as dezenas de contusões, os atrasos salariais que prejudicaram a performance do time e os vários refugos que as duas últimas gestões contrataram como reforços. Zé Ricardo é um bom treinador, mas ele não é milagreiro nem entra em campo pelos jogadores. Temos a pior defesa entre os times da Série A no ano? Tirem apenas os gols sofridos em falhas individuais gritantes - ou seja, aqueles em que não há o dedo do treinador – e vejam se o Vasco ainda seria o time que mais sofreu gols em 2018.


Apesar disso tudo, na minha opinião, a maior crítica a ser feita com relação ao Zé Ricardo é justamente seu pedido irredutível de demissão. Ele sabe como poucos a situação do time e deve ter a noção exata da dificuldade que o clube terá para encontrar um substituto que consiga fazer esse elenco render mais. Em um momento como esse, falar em “abrir espaço para outro profissional só soa como desculpa. É evidente que é preciso respeitar a decisão do profissional, que tem todo direito de se desligar de um trabalho que não o agrada mais. Mas com um time em frangalhos, um clube sem condições de chamar um técnico de alto nível e provavelmente precisando apelar para um interino nos três jogos que faltam até a parada para a Copa, a saída do Zé fica com cara de abandono. E abandonar o Vasco dessa forma, não parecia ser algo que o Zé Ricardo fosse fazer.


Agora é juntar os cacos do time, esperar que Valdir Bigode levante a moral do grupo e fazer o melhor possível nas próximas três rodadas (e torcer que a diretoria saia da rotina e mostre competência para trazer um treinador nesse tempo). O intervalo para o Mundial só servirá de alguma coisa se uma nova filosofia de trabalho seja implementada nesse tempo. E, se possível, sem que o novo treinador já entre com a pressão de precisar tirar o Vasco do Z4.



As atuações...


Fernando Miguel – o cruzamento no primeiro gol botafoguense me pareceu possível de ser cortada pelo goleiro, ainda assim, não dá para culpá-lo nem nesse lance, nem no segundo gol. E ainda fez algumas boas defesas.


Luiz Gustavo – compensou a insegurança que teve em boa parte do jogo com cortes providenciais que impediram jogadas perigosas do adversário.


Erazo – mais uma vez titular, mais um gol de cabeça sofrido pelo Vasco. Parece marcar os lances de bolas alçadas à nossa área com raízes fincadas no chão. Na parte final do jogo deu lugar ao garoto Lucas Santos, que entrou para tentar fazer uma pressão final sobre o Botafogo, mas acabou se embolando com o monte de jogadores que estavam atacando pela esquerda.


Ricardo – também impediu alguns contra-ataques do alvinegro com cortes precisos. Mas em alguns lances foi muito facilmente driblado.


Fabrício – começou entregando a partida logo aos quatro minutos de jogo, vacilando na marcação e deixando o limitadíssimo Jean cruzar para o primeiro gol. Errou tudo o que tentou e acabou dando lugar ao Ramon já no intervalo. Mesmo longe da forma física ideal e sem tanto ritmo de jogo, foi mais eficiente tanto no apoio quanto na defesa. Não ter iniciado a partida com ele foi o último erro grave do Zé Ricardo no comando do time.


Desábato – não deixa de se empenhar no combate, mas é impossível contar com o argentino para acertar passes com mais de três metros de distância. E ontem ele tentou vários passes longos, errando quase todos.


Andrey – um dos poucos a se salvar no time, não apenas pelo belo gol em chute de fora da área, mas por mostrar bom posicionamento e fazer uma boa transição para o ataque quando roubava as bolas.


Giovanni Augusto – começando como titular, teve uma atuação discreta. Precisa de mais jogos para adquirir o ritmo ideal. Deu lugar ao Riascos, quando o Vasco precisava de mais profundidade nas jogadas ofensivas. Contar que o colombiano cumpra bem essa função ou que pelo acerte uma jogada sequer é que é o problema.


Wágner – tentou levar o time à frente mas não conseguiu superar a forte marcação botafoguense. Acabou criando muito pouco.


Yago Pikachu – não marcou dessa vez, mas foi de novo o jogador mais perigoso do Vasco. Foi o homem de frente que mais finalizou.


Andrés Ríos – cercado de marcadores e sem receber bolas durante quase todo jogo, foi peça nula no comando de ataque. Quando teve a chance de marcar um gol, após boa jogada do Pikachu pela esquerda, isolou a bola.