Simplicidade: o trunfo que resta ao Vasco do Valdir Bigode

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Ensina Bigode: tivéssemos um atacante com a metade do seu faro de gol, o Vasco não estaria na situação que está


Em uma manhã de domingo, no fim dos anos 90, estava fazendo compras em um supermercado no bairro de Vila Isabel quando reconheci um bigode famoso tomando café em uma lanchonete. Era Valdir, à época atacante do Benfica, dividindo um pão na chapa e uma média com um senhor que, acredito, devia ser seu pai.


Não é comum ver um jogador de futebol ter hábitos tão simples. Qual é a chance de, nos dias de hoje, ver um atacante de time europeu fazer uma refeição em uma modesta lanchonete na Zona Norte do Rio?


Essa simplicidade deve ser também a tônica do trabalho do Valdir Bigode, hoje, técnico interino do Vasco. Por isso, na partida de hoje contra o forte Cruzeiro, não devemos esperar escalações mirabolantes, mudanças radicais ou esquemas modernosos. Como o próprio Bigode disse numa coletiva, não há tempo para fazer muita coisa além de conversar com os jogadores.


Sendo assim, Valdir já acerta ao focar na recuperação de confiança do grupo. Mesmo que as críticas não tenham surgido do nada e que os jogadores sejam realmente merecedores delas, poucas pessoas são mais indicadas que o Bigode para falar sobre “fases ruins” no Vasco. Ele próprio já as viveu como jogador e tem a experiência necessária para mostrar ao elenco que não há razão (ainda) para desespero. Por dois motivos: primeiro, porque, mal ou bem, estamos na 11ª colocação em termos de desempenho (por conta do jogo que nos falta) e o meio da tabela pode ser preocupante mas não é o fim do mundo. E segundo, se tem uma coisa que não ajudará em nada para que o time melhore é cair em desespero.


Com Rafael Galhardo com condições de jogo, Bigode poderá escalar dois especialistas (digamos assim, no caso do Rafael) nas laterais, já que Ramon também deve começar jogando. O outro Galhardo, Thiago, também saiu do estaleiro, mas deve começar no banco: jogando no Mineirão, o mais natural é que o interino arme um time mais cauteloso, com Cosendey formando um trio de volantes com Desábato e Andrey. Pikachu e Wágner terão a missão de municiar Rios, solitário no ataque. Ou seja, um time sem invenções, em que todos terão funções bem claras. 


Nesse momento, "fechar a casinha" é o mais recomendado numa partida como a de hoje. Aí é esperar que uma chance de marcar um golzinho apareça. E que nessa hora, quem for finalizar se inspire no Bigode para deixar a bola na rede.


CRUZEIRO X VASCO


Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)


Horário: 21h45 (de Brasília)


Árbitro: Luiz Flavio de Oliveira (Fifa-SP)


Assistentes: Anderson José de Moraes Coelho (SP) e Fábio Rogério Baesteiro (SP)


CRUZEIRO: Fábio, Edilson, Dedé, Leo, Egídio, Henrique, Lucas Romero, Thiago Neves, Rafael Sóbis, Bruno Silva, Raniel.Técnico: Mano Menezes.


VASCO: Fernando Miguel, Rafael Galhardo, Frikson Erazo, Ricardo Graça e Ramon; Leandro Desábato, Andrey, Bruno Cosendey (Thiago Galhardo), Yago Pikachu e Wágner; Andrés Rios. Técnico: Valdir Bigode (interino).