Respeita o moço: Vasco 'bigode grosso' arranca empate no Mineirão

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Andrey chuta: jovem volante marca um golaço pelo segundo jogo seguido 


Valdir Bigode segue invicto como treinador do Vasco: na sua terceira partida como interino, o ex-atacante vascaíno viu seus comandados empatarem em 1 a 1 com o Cruzeiro, no Mineirão. As anteriores foram em clássicos contra o Botafogo e Fluminense, com um empate e uma vitória, respectivamente. Não é nada, não é nada, Valdir manteve um retrospecto de “bigode grosso”: só teve pela frente jogos complicados e segue com um bom desempenho na função.


Como era esperado, Valdir fez o simples contra a Raposa e caprichou na motivação. Prova disso foi o empenho da sua equipe no primeiro tempo, quando o Vasco resistiu ao ímpeto dos donos da casa e não deixou de propor o jogo quando teve a chance. Mesmo sofrendo com as bolas alçadas à nossa área (o que rendeu as melhores chances para o Cruzeiro), o time mostrou calma e, evitando a afobação, conseguiu controlar a pressão cruzeirense. E se todos esperavam que a defesa do Vasco fosse entregar o jogo, foi a defesa do anfitrião que vacilou: Egídio praticamente entrega uma bola para Andrey que, como no jogo contra o Botafogo, acerta mais um balaço e abre o placar. Em desvantagem, o Cruzeiro pressionou até o fim do primeiro tempo, mas o Vasco se segurou até o intervalo.


No segundo tempo, o Cruzeiro já começou empurrando o Vasco para o seu campo e a evidente discrepância na preparação física das duas equipes fez a diferença. A raposa atacava de tudo quanto é jeito e empate, que parecia inevitável, aconteceu aos 15 minutos, em uma troca de três passes dos cruzeirense e a ajuda de uma cochilada do Paulão.


E, enquanto o Cruzeiro tinha tempo de sobra para tentar a virada, nossos jogadores começavam a cair em campo com câimbras, fisgadas ou simples cansaço. Valdir foi obrigado a fazer alterações, colocando Geovanni Augusto, Evander e Wellington no time. Com três dos suspensos por conta do Instagram em campo (os dois últimos e Paulão, que começou a partida), a torcida do Vasco começou a temer pelo pior. Mas aí foi a vez do Cruzeiro perder um pouco do fôlego. O Vasco passou a conseguir alguns respiros e segurou o empate até apito final.


Diante do cenário caótico do clube nos últimos dias (semanas, meses, anos) e porque não dizer, dos prognósticos de quase todos, o empate foi um bom resultado. Com seu estilo boleiro, Valdir cumpriu bem o seu papel como interino. E entregará o time ao Jorginho, o novo treinador do Vasco, se não em uma posição melhor na tabela, pelo menos com um clima bem mais ameno.



As atuações...


Fernando Miguel – mostrou segurança na maioria dos lances, mas alguns golpes de vista foram de matar do coração. No lance do gol cruzeirense, ou saía ou ficava e deixava o atacante adversário fuzilar. Melhor levar um gol agindo que ficando parado.


Luiz Gustavo – em muitos momentos atuou mais como um terceiro zagueiro que como lateral, e, nessas horas, fechava muito na marcação e deixava espaços na lateral. Mesmo assim foi bem no combate e mostrou muita disposição. Tanta que acabou saindo extenuado, dando lugar ao Wellington, que entrou no fim e, só de não ter entregado nenhuma bola perigosa, já está ótimo.


Paulão – uma atuação típica do Paulão: vai bem durante 90% do jogo, mas nos 10% restantes, entrega a mariola: mostrou disposição, cortou vários dos inúmeros cruzamentos à nossa área, mas no lance do gol da Raposa foi muito facilmente driblado.


Ricardo – outro a se entregar muito durante todo o jogo, se empenhando muito no combate direto.


Henrique – no primeiro tempo, ainda tentou ajudar no apoio, mas, no segundo tempo, se preocupou basicamente com a marcação. Se saiu melhor fechando sua lateral.


Desábato - um monte de erros de passe e faltas desnecessárias. A fase é ruim e, nesse momento, se o time tiver que jogar com apenas dois volantes, o argentino não mereceria a titularidade.


Andrey – mais uma boa partida do garoto, não apenas defensivamente – onde fechou bem os espaços e roubou muitas bolas, mas também ajudando no início da criação das jogadas. Seu belo gol só aconteceu porque ele estava na intermediária do Cruzeiro e acreditou no lance.


Bruno Cosendey – cumpriu bem sua função tática, fechando bem os espaços pela meia esquerda e quando aparecia a oportunidade, também iniciando jogadas ofensivas. Deu lugar ao Evander que, vejam vocês, mostrou um pouquinho mais de empenho que de costume. Foi visto inclusive dando um carrinho e roubando uma bola. Mas poderia ter mantido a bola mais tempo no ataque, o que só conseguiu fazer já nos acréscimos.


Yago Pikachu – atuou mais como atacante que como meia, e foi quem mais se destacou entre os homens da frente. Mas falta um pouco mais cacoete para a posição: entrou umas três vezes em impedimento, o que não aconteceria se estivesse mais acostumado com o posicionamento que a função exige. Quase marcou um golaço em bela cobrança de falta, que explodiu no travessão.


Wagner – tendo mais preocupações defensivas, apareceu menos que o Pokémon na criação de jogadas. Mas, mais uma vez, se esforçou no seu limite, dando lugar ao Gionvanni Augusto depois de desabar no campo. Já o Geovanni, mais uma vez, deixou a impressão de que poderia ter feito mais. Ajudou na marcação, tentou criar uma ou outra jogada, mas sem resultados muito positivos. Assim como o Evander, conseguiu manter a bola no campo cruzeirense por algum tempo nos acréscimos.


Andrés Rios – mais uma vez isolado entre os zagueiros adversários, ajudou mais na defesa – cortou vários cruzamentos na nossa área - que no ataque. No primeiro tempo entregou uma bola que quase acabou em gol do Cruzeiro.