Vasco 1 x 1 Fla: jogo estranho, com lances esquisitos

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Rios aproveita a sobra para marcar o gol vascaíno no empate - cheio de bizarrices - com o Flamengo


Com o empate em 1 a 1 que arrumou com o Flamengo, o Vasco conseguiu mais que um solitário – e pouco útil no momento – pontinho na tabela. Conseguiu também roubar do Botafogo uma das suas frases mais clássicas.


Porque, sim, depois do que foi visto no Mané Garrincha neste sábado, podemos dizer que tem coisas que só acontecem com o Vasco.


O primeiro acontecimento estranho veio antes mesmo da bola rolar, com o anúncio da escalação feita pelo Valentim para o clássico: um meio de campo formado por três volantes e um lateral improvisado como armador. Sendo que, pasmem, esse lateral improvisado era o semi-defenestrado Fabrício, que só não pegou a barca com destino “Qualquer lugar bem longe de São Januário” porque deve ter chegado atrasado na hora do embarque.


Mas as estranhices não acabaram por aí, foram num crescendo no decorrer da partida. O segundo fato pra lá de incomum foi a escalação bizarra do técnico-galã ter dado certo! O Vasco começou melhor a partida, acertando uma marcação já na intermediária rubro-negra, arrumando contra-ataques e chegando com mais perigo que o “poderoso” time da Gávea. Detalhe: com Fabrício jogando BEM (e não só ele...outro volante, o Raul, também fazendo uma bela partida).


As coisas estavam tão fora do esperado que nós não apenas perdemos um gol feito com Rios (esse acontecimento específico nem é tão inesperado assim), como logo em seguida conseguimos abrir o placar, com o mesmo Rios. Que, para fazer justiça ao gringo, até que costuma fazer suas graças em clássicos.


Passada a surpresa que foi o primeiro tempo, o Flamengo se acertou e começou a etapa final tentando pressionar. Tinha muito mais posse de bola, mas não chegava a ameaçar. Até que aos 15 minutos, o rubro-negro teve um jogador expulso (coisa RARÍSSIMA de acontecer) e as coisas pareciam que ficariam melhores para o nosso lado.


Mas aí foi a vez do zagueiro Luiz Gustavo chamar pra si o protagonismo na bizarria: menos de dois minutos depois da expulsão do meia Diego, o Flamengo chegou ao empate com um gol contra em um lance completamente despropositado do zagueiro. E dez minutos depois, o mesmo Luiz Gustavo conseguiu mandar pro espaço nossa vantagem numérica ao entrar como uma jamanta desgovernada em cima do Bruno Silva e colocá-lo fora de combate depois do Valentim ter feito as três alterações possíveis.


Pra dar o toque surreal definitivo a um jogo dos mais esquisitos, os jogadores ainda tiveram que empurrar a ambulância que entrou em campo para socorrer o atropelado Bruno Silva. Por conta da parada para atender o volante, o segundo tempo beirou uma hora de duração. Ou seja, a partida seguiu esquisita até o apito final.


Um time que não vencia – e que jogou muito mal em todas – a quatro jogos, cheio de desfalques e lutando para sair do Z4 só não venceu o integrante do G4 e semifinalista da Copa do Brasil, jogando com a força máxima do seu elenco milionário, por conta de um gol contra. Pouca gente esperava um resultado tão estranho. E menos ainda uma partida tão estranha.


***


Falando sério agora, pudemos ver uma melhora significativa no time depois que Alberto Valentim teve mais tempo para treinar a equipe. Isso pode nos dar alguma esperança, mas é preciso pé no chão. Em termos de classificação o resultado foi ruim e mais uma vez perdemos pontos por conta de falhas individuais inaceitáveis.


É preciso lembrar também que o fator "clássico" deve ser levado em conta. É o tipo de partida no qual todo mundo entra mais ligado e isso torna os jogos mais imprevisíveis. A melhora do time deve se confirmar nas 14 partidas restantes, para que não fique a impressão que o desempenho de ontem teve como base a motivação pela rivalidade.


No mais é torcer que esse primeiro sinal positivo do trabalho do Valentim prossiga e evolua. E que o péssimo condicionamento físico - meio time morreu na metade final do segundo tempo - e as contusões que aparecem sozinhas (ontem foi a vez do Raul) não atrapalhem. Esse empate, a princípio, serve apenas como sobrevida ao treinador. Valentim ainda tem muito o que fazer para que a torcida passe a confira integralmente no seu desempenho como técnico.



As atuações…


Martín Silva – mesmo sofrendo um gol – sem qualquer culpa no lance – fez a sua melhor partida em muito tempo. Não precisou fazer nenhum milagre, mas fez uma boa quantidade de boas defesas (deu uma pipocada numa saída do gol, errando um soco que daria na bola, mas sem consequências).


Lenon – teve espaço para ir ao ataque, mas parece ser incapaz de acertar um cruzamento. E com suas idas ao apoio, acabou deixando sua lateral aberta trocentas vezes. Pelo visto, um dos alvos da maldição que jogaram no Vasco é nessa posição. Não há sequer uma opção aceitável no elenco.


Luiz Gustavo - “ah, vinha fazendo uma boa partida”, dizem seus defensores. Sinto, mas é impossível defender quem marca um gol contra – ao cortar um cruzamento que não chegaria a nenhum jogador adversário – e que tira um jogador do próprio time depois das três alterações feitas. Poucas vezes foi tão fácil apontar para um responsável individual por um resultado ruim.


Leandro Castán – naturalmente fora de ritmo, fez uma partida razoável. Se saiu bem no confronto direto com os atacantes rubro-negros e foi bem nos cortes pelo alto.


Ramon – não foi mal, nem bem, muito pelo contrário. Uma partida mediana, com um destaque negativo: desperdiçou ótima jogada ao tentar finalizar (bisonhamente, diga-se) em um lance que deveria ter tocado para trás. E isso quando o jogo já estava empatado.


Bruno Silva – cumpria de forma razoável a função de fechar os espaços pelo meio – apesar de eventualmente se ver envolvido pelo adversário – até ser atropelado pelo Luiz Gustavo e precisar sair de ambulância do campo.


Raul – vinha sendo um dos melhores do time, marcando bem e subindo para ajudar o ataque com eficiência. Como não poderia deixar de ser, se contundiu sozinho e deu lugar ao Andrey, que pareceu meio desinteressado no jogo. Preocupou-se muito mais com a marcação e pouco ajudou na construção de jogfadas.


Willian Maranhão – limitado toda vida, pode-se contar com ele tentando destruir as jogadas dos adversários. Porque se dependermos dele acertar passes, estamos lascados.


Fabrício – renascido do limbo, entrou pra jogar como principal articulador do time e, surpresa das surpresas, se saiu bem (!). Deu bons passes e ajudou na saída de bola (!!!!). Tomou um amarelo, obviamente, por conta do seu temperamento explosivo e acabou sendo sacado para a entrada do Giovanni Augusto, que se deveria dar novo gás ao setor, não foi muito bem sucedido. Parece ter entrado contagiado pelo cansaço do resto do time.


Andrés Rios – perdeu um gol feito (e, a meu ver, sofreu um penal não marcado no lance) mas compensou marcando em seguida, mostrando mais uma vez ter estrela em clássicos. Cansou de forma tão absoluta que parou de correr do nada no meio de um contra-ataque e foi substituído pelo jovem Marrony, que dessa vez nem perder um gol feito, como aconteceu nas duas últimas partidas, conseguiu.


Maxi López – não marcou o dele, mas além de participar do lance do gol vascaíno, incomodou a zaga flamenguista durante toda partida. Talvez ainda não esteja completamente adaptado ao futebol brasileiro, mas quando isso acontecer – e se tiver mais ajuda do meio de campo – tem tudo pra começar a marcar uma penca de gols.