Empate com o Furacão foi um resumo dos erros do Vasco no Brasileiro

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Boa atuação de Galhardo e seu gol de pênalti não foram o bastante para o Vasco vencer o Furacão


A falha de Martín Silva na partida contra o Grêmio, que determinou a derrota vascaína no derradeira minuto do jogo, serviu para que muitos torcedores elegessem o goleiro uruguaio como o grande vilão da péssima campanha do time nesse Brasileiro.


Ontem, o Vasco deixou a vitória escapar ao ceder o empate para o Atlético-PR, novamente na última volta do cronômetro. Martín Silva, mesmo que não estivesse servindo sua seleção, não estaria em campo, já que estava suspenso.


E o que vimos na partida, sem que o “responsável” direto pelo fiasco vascaíno na competição pudesse comprometer a atuação do time?


Um time motivado, sem dúvida, tanto pelo desespero por pontos como pelos gritos da torcida, que lotaram São Januário. Mas com muito pouca variação de jogadas, apelando muitas vezes para as bolas esticadas e, quando conseguiu exercer uma pressão real sobre o Furacão, não mostrou capacidade para criar jogadas de perigo (tanto que só conseguiu marcar um gol de pênalti). Nada disso pode ser colocado na conta do goleiro.


Vimos também o Vasco perdendo chances claras, algumas inaceitáveis que um jogador profissional perca. As duas mais claras com Kelvin e Rildo, ainda no primeiro, mas Ríos, Giovanni Augusto e Thiago Galhardo também perderam ótimas oportunidades, na frente do goleiro, e desperdiçaram. Martín Silva não teria como ser responsabilizado por isso.


Além disso, vimos mais uma vez o péssimo preparo físico do time: perdemos dois jogadores ainda no primeiro tempo por contusão, sem que houvesse algum choque com marcadores. A necessidade de alteração obviamente mudaram o comportamento do time, que demorou um tempo para se adaptar. E, outro reflexo: com apenas uma alteração para fazer ao longo do segundo tempo, vimos mais uma vez o time morrer em campo, restando ao Vasco suportar a pressão do adversário (que colocou dois jogadores de velocidade em campo na etapa final) e tentar não tropeçar na própria língua. A não ser que o Martín seja responsável pela preparação física do time, essa questão também não recai sobre o goleiro.


Outro ponto a ser citado: quando Rildo saiu contundido, Giovanni Augusto foi o escolhido por Valentim para substituí-lo. Por não terem, nem de longe, a mesma velocidade, o técnico-galã precisou mexer no time, deslocando Thiago Galhardo – que estava jogando bem por dentro – para a ponta. Só que o Galhardo, além de também não ter a velocidade do Rildo, não tem fôlego para manter a intensidade durante 90 minutos e não teve forças para puxar contra-ataques na parte final do jogo. Havia opções de velocidade no banco (como o Marrony ou Hugo Borges), mas Valentim nas as utilizou. E, até onde eu sei, o goleiro uruguaio também não escolhe quem entra ou sai do time.


E, por fim, no que foi praticamente o último lance da partida, vimos o Raul furar uma bola fácil que terminou virando o gol atleticano. E também não podemos responsabilizar Martín Silva por erros individuais de outros jogadores.


O que vimos ontem na Colina foi um resumo de todos os erros que marcam o fracasso do Vasco nesse Brasileiro. Todos não, já que é fato que não podemos tirar a parcela de culpa que Martín Silva tem nessa história. Mas esse 1 a 1 com o Furacão serve para todos vejam que é besteira procurar responsabilizar apenas um jogador pela campanha do time. A culpa não é do goleiro, é de todos: da diretoria, da comissão técnica e dos jogadores.



As atuações


Fernando Miguel – seguro em boa parte do jogo e contando com a sorte em outros, fez uma boa partida (só me lembro de uma saída errada do gol). Não tinha o que fazer no gol de empate.


Raul – atuando improvisado na lateral, vinha mostrando que precisa de tempo para se adaptar a posição. Mas não vinha comprometendo, até furar uma espanada e originar o gol do Furacão.


Leandro Castán – referência no setor defensivo, terminou o jogo como capitão do time e se depender da sua liderança, não perde mais a braçadeira. Firme no combate e bem nas antecipações, quase impediu o gol adversário, mesmo sendo pego de surpresa.


Oswaldo Henríquez – passou o jogo inteiro dando bicões para onde apontasse o nariz. E não comprometia como “zagueiro-zagueiro”, mas estava desprevenido no lance do gol e deixou o jogador do Atlético livre para finalizar.



Ramon – quando estava fazendo uma partida até razoável – na comparação com suas últimas atuações – se machucou feio e saiu. Não atua mais esse ano. Henrique entrou em seu lugar e se preocupou mais com a parte defensiva. No apoio fez alguns bons cruzamentos.


Willian Maranhão – uma atuação passivo-agressiva: batia nos adversários e apanhava da bola. É impressionante sua falta de intimidade com seu instrumento de trabalho.


Andrey – não foi bem nas finalizações, acertando praticamente todos os seus chutes nas pernas dos marcadores. Mas foi bem na distribuição de jogo, passando com mais rapidez, privilegiando os toques de primeira.


Thiago Galhardo – o nome do jogo: criou jogadas, fez assistências e ditou o ritmo do meio de campo (apesar de mostrar alguma displicência em alguns passes). Teve a chance de fazer o que seria o gol da vitória, mas já cansado, não teve pernas para chutar com força depois de uma arrancada do nosso campo, no segundo tempo.


Rido – perdeu um dos gols mais feitos do ano, após excelente passe do Galhardo. Vinha sendo boa opção de ataque pelas pontas, mas se machucou ainda no primeiro tempo, dando lugar ao Giovanni Augusto, que mostrou uma disposição fora do seu normal. Deu alguns bons chutes, mas em outros lances, refugou na finalização e preferiu passar no momento errado.


Kelvin – teve duas boas chances e perdeu as duas. Seu futebol ciscador não é muito efetivo, mas deu trabalho à zaga atleticana. Deu lugar no fim para o esquecido Leandro Desábato, que não teve tempo para fazer muita coisa.


Andrés Rios – com uma atuação discreta, foi mais útil sem a bola nos pés, chamando a marcação e abrindo espaços para os companheiros. Acabou sendo importante por ter sofrido o pênalti convertido pelo Galhardo.