Longe de honrar sua própria história, Vasco vai ao Castelão lutar pelo empate

Reprodução (Twitter @MaxiLopez_11)
Reprodução (Twitter @MaxiLopez_11)

Se conhecesse o Vasco mais a fundo, Maxi saberia que a batalha para salvar o Vasco vai acontecer longe dos gramados


Maxi López é, indiscutivelmente, o jogador mais importante do Vasco nesse campeonato. Seus gols e assistências são uma prova de que, sem o veterano argentino, o clube da Colina já estaria fadado ao seu quarto rebaixamento em uma década. Por conta disso, é naturalmente adorado pela torcida cruzmaltina e, pelas diversas demonstrações de carinho, a admiração é recíproca.


Uma dessas demonstrações apareceu nas redes sociais do Mad Maxi, a imagem que ilustra o post de hoje. Com o claro objetivo de motivar a torcida antes da decisiva partida contra o Ceará, La Barbie declarou na sua conta do Twitter, na postagem que traz a sua comemoração com Pikachu e Thiago Galhardo que é “momento só de pensar nessa Batalha”.


Para os jogadores, é ótimo. O foco deve ser total e todos devem encarar o jogo como o mais importante de suas vidas. Mas para a torcida é impossível pensar apenas “nessa batalha”. Até porque, ver o Vasco chegar à última rodada do Brasileiro ainda correndo riscos e considerando uma partida contra o Ceará uma batalha (e, pior ainda, com grande parte da torcida tendo um justificado receio do que pode acontecer) é uma vergonha tão grande que parte do nosso pensamento como vascaíno se volta para a incredulidade. Porque é inacreditável ver um dos maiores clubes do esporte mundial numa situação como essa.


Não se trata de diminuir o Vozão, que fez uma bela campanha diante de todas as dificuldades que tem. Mas é inegável que não é – ou não deveria NUNCA ser – normal ver um time com a tradição que tem o time da Colina torcer fervorosamente para conseguir um empatezinho em uma partida como essa.


Mas basta olhar o cenário do clube para entender tudo. Vindo de décadas de gestões desastrosas, com um presidente sem legitimidade no cargo, um monte de dívidas, e comissão técnica, departamento médico e elenco de qualidade questionáveis, o Vasco hoje nem de longe é digno de representar sua própria história. Tomemos apenas a partida de hoje como exemplo: estamos lamentando a ausência de um Yago Pikachu (que, diga-se, é efetivamente um dos jogadores mais importantes do elenco), na dúvida entre Fabrício e William Maranhão para ocupar a lateral esquerda e, entrando com três volantes em campo, provavelmente nos preocuparemos muito mais em nos defender do que em atacar.


Resumindo: o Vasco de Campello e Valentim vai encarar o Ceará (que, por melhor que seja, tem apenas um ponto a mais que nós mesmos) pensando, primeiramente em não perder. É isso o que um dos maiores clubes do futebol mundial tem para oferecer. E isso porque, em caso de vitória, o Vasco ainda belisca uma vaguinha na Sul-Americana. Mas o pensamento é apenas um, modesto e vergonhoso: fugir de mais um descenso.


Perdoe-me Maxi. Eu entendo sua intenção, que foi realmente boa. Mas a principal batalha para livrar o Vasco do pesadelo que vive há quase 20 anos não será no Castelão e nem em qualquer campo de futebol.



CEARÁ X VASCO


Local: Arena Castelão


Horário: 17h


Árbitro: Raphael Claus (SP-FIFA)


Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis (SP-FIFA) e Rogerio Pablos Zanardo (SP)


CEARÁ: Everson; Samuel Xavier, Luiz Otávio, Tiago Alves, Felipe Jonatan; Juninho, Richardson; Calyson, Ricardinho, Felipe Azevedo; Arthur. Técnico: Lisca.


VASCO: Fernando Miguel; Luiz Gustavo, Werley, Leandro Castan e Fabrício (Willian Maranhão); Desábato, Andrey, Raul, Thiago Galhardo e Kelvin; Maxi López. Técnico: Alberto Valentim.