Na pior atuação em clássicos no ano, Vasco não passa de um empate com Flamengo

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Maxi cobra a penalidade e garante o empate contra o Flamengo aos 50 minutos do segundo tempo


Antes de fazer qualquer análise sobre o 1 a 1 entre Vasco e Flamengo, cabe dizer que manter a invencibilidade na competição, da forma como foi mantida (gol de pênalti, nos acréscimos do segundo tempo, contra o maior rival que já cantava a vitória nas arquibancadas) é motivo de alegria, sim.


Dito isso, pode-se falar que não há nenhuma razão para a torcida vascaína comemorar o empate na Arena Maracanã, até porque o time fez seu pior clássico no Carioca (talvez a pior partida em todo campeonato) e contra um time de suplentes rubro-negros.


Isso porque o time do Valentim, depois de ter perdido uns três gols no começo da partida, abdicou de jogar futebol logo depois da parada técnica da etapa inicial, entregando a posse de bola ao adversário sem ao menos fingir que pretendia tentar propor algo no jogo.


Os números do primeiro tempo confirmam que o Vasco – que já entrou em campo com uma escalação equivocada do técnico-galã – não quis jogar futebol: com ridículos 35% de posse de bola, ainda assim o time conseguiu errar quase tantos passes quanto o Flamengo (12 x 15) e roubar menos da metade das bolas que o rubro-negro roubou (4 x 10).


Mas para o Valentim parecia estar tudo certo, tanto que voltou com o mesmo time para o segundo tempo. E bastaram três minutos para o erro cobrar seu preço: mesmo claramente esperando um erro do Flamengo para explorar um contra-ataque, foi o Vasco que sofreu um gol em um contragolpe.


Só com a desvantagem no placar e ainda assim, dez minutos após sofrermos o gol, Valentim resolveu colocar o time certo em campo: tirou Pikachu e Galhardo, peças nulas em campo, e colocou Rossi e Bruno Cesar. O time melhorou e passou a pressionar o Flamengo, mas de forma desorganizada. A saída do volante Raul para a entrada do atacante Ribamar, além de mostrar o lado “Joel Santana” do técnico-galã, deixou claro que qualquer estratégia tinha sido abandonada em detrimento de uma ofensividade desesperada, o que deixou o Vasco completamente exposto aos contra-ataques. Não haviam jogadas, não havia coordenação entre os setores do time; o Vasco apenas combatia e tentava lançamentos.


E se não fosse o pé salvador do Danilo Barcelos, que evitou que um contragolpe rubro-negro terminasse em um segundo gol adversário e fatalmente na vitória flamenguista, Valentim veria a invencibilidade do seu time cair por terra com a arma que ele planejou usar. Mas o lateral Rodinei perdeu o gol mais feito da temporada e na sequência Marrony sofreu o pênalti salvador (o segundo na partida, já que a arbitragem ignorou um antes, cometido sobre o Maxi López).


A cobrança convertida pelo Loirão aos 50 minutos do segundo tempo, que decretou números finais ao jogo, manteve o Vasco invicto no ano, mas não escondem os erros cometidos pelo time e pelo seu treinador. Escalar um time mais cauteloso e não colocar em campo quem está em melhor fase quase nos custaram a derrota no clássico. Se Valentim tivesse feito as escolhas mais óbvias, teríamos condições de vencer o jogo e não teríamos o risco de terminar a rodada fora da zona de classificação para as semifinais da Taça Rio.



As atuações


Fernando Miguel – o jogador mais regular do elenco mais uma vez fez grandes defesas, ajudando a manter a invencibilidade do time. No gol, não tinha o que fazer.


Raúl Cáceres – no primeiro tempo se preocupou muito mais com a defesa, só tendo mais liberdade quando o Vasco passou a pressionar. Sendo assim, não repetiu as boas atuações que tem tido quando apoia mais.


Werley – no lance do gol rubro-negro, olhou o lance enquanto Arrascaeta passou nas suas costas. Mas fez uma partida segura no resto do jogo. Teve uma chance clara de marcar no primeiro tempo, mas cabeceou pra fora.


Leandro Castán – não comprometeu e quase marcou um gol de cabeça no segundo tempo, mas a bola carimbou a trave.


Danilo Barcelos – cobrou algumas faltas com perigo, irritou ao desperdiçar cruzamentos em sequência, mas salvou o Vasco impedindo o gol do Rodinei, aos 47 do segundo tempo.


Raul – voltando de contusão, acabou não sendo tão eficiente no combate. Falhou feio em não acompanhar o Arrascaeta no lance do gol adversário. Deu lugar ao Ribamar, que entrou com o time já completamente bagunçado, prejudicando um dos seus pontos fortes, o bom posicionamento.


Lucas Mineiro – ficou caído no meio de campo no lance do gol rubro-negro e não conseguiu dar a segurança necessária à zaga quando ficou como único marcador no meio de campo. Mas foi útil nas saídas de bola e fazendo a ligação com os meias. Não estava com sorte nas finalizações, tendo duas chances de cabeça, uma delas claríssima ainda no primeiro tempo.


Yago Pikachu – tirando uma finalização no começo do jogo, quando recebeu um passe de presente do adversário, nada fez. Foi o primeiro a ser sacado do time para a entrada do Rossi, que trouxe mais intensidade para o ataque vascaíno e deu trabalho com suas subidas pela direita.


Thiago Galhardo – de positivo, um toque de cabeça que quase terminou com gol de Castán, que também cabeceou, mas na trave. De resto, pouco participou do jogo, sendo anulado facilmente pela marcação rubro-negra. O contra-ataque que originou o gol do Flamengo começou com ele perdendo uma bola boba no ataque. Bruno César entrou no seu lugar e, mesmo sem fazer uma grande partida, trouxe maior movimentação ao meio de campo vascaíno.


Marrony – vinha tendo a atuação mais discreta em todo campeonato, mas acabou sendo decisivo mais uma vez, sofrendo o penal que garantiu o empate.


Maxi López – no primeiro tempo, mal viu a bola. Com o time pressionando no segundo tempo, foi mais acionado, mas não conseguiu concluir com eficiência as jogadas. Sofreu um pênalti não marcado e mostrou que sua experiência ainda conta pontos: não é qualquer um que bate um pênalti aos 50 minutos do segundo tempo de um clássico com frieza e precisão.