Vasco vence e se classifica sem irritar a torcida

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Pikachu, Maxi e Sasse: jogada dos três terminou com o gol da vitória sobre o Avaí


Essa é uma característica do ser humano: nos apegarmos muito ao que nos interessa e ignorar o cenário completo. Por isso, quando o torcedor do Vasco viu o Avaí marcar seu segundo gol no jogo de ida pela terceira fase da Copa do Brasil, qual foi a reação de muitos vascaínos?


Se em São Januário foi assim, imagina na Ressacada!


E assim, um monte de gente ficou preocupada com a partida de volta, já antevendo uma eliminação prematura (e vexaminosa) em Santa Catarina.


Claro que boa parte dessa reação vem do futebol apresentado pelo Vasco, que não é dos mais confiáveis. Mas a preocupação com o confronto de ontem é fruto, principalmente, do que falei no começo do texto. Como torcedores, temos o hábito de olhar apenas para os problemas do nosso time, ignorando o que nosso adversário pode fazer. Mas se tivéssemos prestado um pouco mais de atenção para lado oposto do campo e um pouco menos no placar final do primeiro jogo, teríamos percebido que o receio que muitos tinham era injustificado. E por um motivo simples.


O time do Avaí é de uma fragilidade de dar pena.


É como eu disse na resenha sobre o jogo na Colina:



"Pelo que jogou em São Januário, alguém espera que o Avaí vá melhorar tão absurdamente que vá nos vencer com facilidade na Ressacada? Será que o segundo gol do Avaí será decisivo para uma eliminação vascaína no jogo da volta? Tenho minhas dúvidas."



Nem o Avaí melhorou, nem o gol deles fez diferença. Na partida de ontem, nossos anfitriões até fizeram alguma graça no primeiro tempo, quando tiveram mais posse de bola e finalizaram com mais perigo (e, nesse momento, Fernando Miguel mostrou a diferença que é ter jogadores mais qualificados). Mas antes mesmo do fim da etapa inicial o jogo já estava equilibrado.


No segundo tempo as coisas ainda melhoraram. Melhorando o toque de bola e mantendo - na maioria do tempo - a pegada defensiva, fomos invertendo os números da posse de bola e chegando com mais perigo. Até que as entradas de Maxi López e Yan Sasse fizeram a diferença: o loirão iniciou a jogada no meio de campo, passando para Yan Sasse, que fez um salseiro (desculpem o quase trocadilho infame), invadiu a área e rolou a bola para o pequeno Pokémon empurrar para o gol.


Com a desvantagem no placar e a necessidade de virar o placar para pelo menos chegar aos penais, o Avaí até que tentou fazer uma pressão, mas nossa defesa, com destaque para Fernando Miguel e Ricardo Graça, seguraram bem o ímpeto de um adversário que é, no máximo, esforçado.


O 1 a 0 era mais do que precisávamos e nem mesmo a entrada do William Maranhão nos minutos finais (o que deve ter deixado os críticos mais irritados do Valentim espumando) nos dá motivo para reclamar do jogo. Não foi uma partida excelente, mas foi uma partida controlada, sem maiores riscos. E, mais importante, que não deve ter provocado aquela irritação que o time tem nos provocado ultimamente. Agora é embolsar o prêmio pela classificação e ir com mais moral para a final com o Flamengo.



As atuações…


Fernando Miguel – como o empate já nos classificaria, podemos dizer que Miguel nos garantiu a vaga com pelo menos três grandes defesas. Compensou com sobras a falha que teve no jogo de ida.


Raúl Cáceres – depois de um primeiro tempo apenas regular, teve presença ofensiva na etapa final, mesmo em um momento no qual seria justificável ter maior preocupação com a defesa. Só podia ter sido mais preciso nos cruzamentos.


Werley – uma partida correta, se saindo bem contra os ataques adversários sem tentar complicar.


Ricardo Graça – depois de um começo um pouco inseguro se firmou na partida, impedindo diversos ataques do Avaí. Cortou de cabeça uma bola que tinha endereço certo.


Danilo Barcelos – levou perigo nas bolas paradas e quase marcou um belo gol com uma bomba evitada por grande defesa do goleiro do Avaí. Defensivamente deu algumas vaciladas.


Raul – outra boa partida do volante, roubando diversas bolas e até aparecendo na frente com algum perigo.


Lucas Mineiro – apesar de alguns erros de passe, fez bem a saída de bola na maior parte do tempo. Evitou o que poderia ser um gol do time catarinense travando um chute de um atacante adversário.


Lucas Santos – na sua estreia como titular, foi discreto no primeiro tempo, melhorando no segundo. Mostrou boa movimentação e visão de jogo com alguns bons passes. Deu lugar ao Yan Sasse, que mais uma vez foi decisivo: podemos creditar metade do gol do Pikachu ao atacante que, depois de bela jogada individual, deixou para o Yago apenas o trabalho de empurrar a bola para o fundo da rede.


Yago Pikachu – sacramentou a classificação marcando o gol da vitória no estilo camisa 9: com uma boa infiltração e muito oportunismo. Willian Maranhão entrou em seu lugar no fim para segurar o resultado.


Tiago Reis – isolado no primeiro tempo, participou pouco da partida. No segundo tempo procurou se movimentar e apareceu mais. Deu lugar ao Maxi López, que não precisou de muito tempo para dar outra cara ao ataque. Em poucos minutos iniciou uma jogada que por pouco não terminou com um gol do Danilo Barcelos e outra que terminou no gol do Pikachu. Fazendo isso sem estar na forma ideal, deu mais uma mostra de que, no peso certo, não tem como perder a vaga no time.


Marrony – ainda não fez as pazes com o gol, mas mostrou sua utilidade tanto no ataque – com suas subidas em velocidade – quanto ajudando a defesa. Também precisa caprichar mais nos passes.