Ricardo David: 'O Vitória não tem mais espaço para um modelo autoritário e de um homem só'

Engenheiro e empresário, Ricardo David é candidato à presidência do Vitória pela segunda vez. No último pleito acumulou 425 votos válidos, 103 a menos que a chapa vencedora, Vitória do Torcedor.


Ricardo trabalhou no Vitória de 2014 até outubro de 2015, quando deixou o clube por "incompatibilidade de gestão", como o mesmo classifica, com Manoel Matos, também candidato ao pleito. Segundo David, o Vitória não tem mais espaço para um modelo "autoritário e de um homem só". Após visitas a clubes no Brasil e exterior, diz que está mais preparado e tem experiência na gestão do futebol.


Nesse bate-papo realizado por telefone, Ricardo fala sobre a preparação para ser presidente, projetos para o clube e cargos políticos. Explica ainda sobre sua ligação com Carlos Falcão e reforça que tem o perfil de uma gestão colaborativa e participativa. Confira abaixo:


Projeto de futebol para o Vitória


"O Vitória precisa de uma gestão profissional. Eu terei um executivo de futebol cuidando tanto da base quanto do futebol profissional. Esse executivo é quem vai coordenar as políticas de futebol do Vitória e terá responsabilidades que variam desde a captação de atletas, jovens do sub 15, até a conceituação do elenco profissional. Passando por aplicação de tecnologias, por um centro de inteligência e análise de desempenho, que é uma área que eu vou dar muita importância no Vitória. Nos clubes por onde passei este foi um fator diferencial. Você precisa ter um monitoramento contínuo de atletas que estão em fase de formação. Esse é o momento que podemos ser iguais a qualquer clube no mundo. É o momento de monitoramento de jovens atletas com potencial para serem desenvolvidos. São atletas ainda que não têm as habilidades que os projetam e, quando ele se projeta, fica muito caro pra gente manter, todo mundo já está querendo ele. Então, dentro desse conceito de gestão, um diretor executivo, um gestor para a base e um gestor para o futebol profissional, deixando o diretor como desenvolvedor de políticas e monitorando se todos os objetivos estão sendo alcançados, aferindo resultados e ajustes e deixando para os gestores da base e profissional o papel mais histórico do diretor de futebol, aquele que faz a interface do vestiário".


Assessoria/Ricardo David
Assessoria/Ricardo David

Ricardo David é candidato pela segunda vez


Divisão de base


"Aqui vai uma inovação muito grande. Nós vamos passar a filmar todos os nossos treinamentos da base. De maneira que sejam produzidas imagens que serão utilizadas pelas comissões técnicas para aperfeiçoamento. Hoje eu tenho certeza que, se eu chegar no Vitória para saber como andar algum jogador da base, obviamente que serão passadas informações, mas eu gosto de ver números de desempenho também. Por exemplo: quero saber como está o desempenho de um atacante nos últimos 60 treinos que ele fez. Que habilidades ele ainda não tem desenvolvida? Quais as dificuldades deste atleta? Se não tivermos isso hoje, estaremos distantes do que o futebol moderno preconiza. O Luan mesmo é um atleta para ser trabalhado a curto prazo".


Transição Base para o Profissional


"Vamos ter um protocolo de transição. Acompanhei os jogos do sub-20 na Copa do Nordeste e ví o Luan. Parece um talento. Mas esse jovem de 18 anos precisa ser trabalhado dentro de um protocolo de transição para ele se tornar um atleta de 20 anos de alto rendimento. Para isso, eu preciso ter um processo pré-definido, preciso ter um programa e isso vamos ter no Vitória. Ninguém vai sair da base para o profissional porque um treinador passou, olhou um treino e escolheu um jogador. O clube terá um padrão para isso".


Formação de elenco para o futebol profissional


"Vamos privilegiar os atletas mais jovens. Queremos ter um elenco com características principais de força, velocidade, transições rápidas e um sistema defensivo consistente. Precisamos acabar com aquela máxima de trazer jogadores em final de carreira. Quero que o torcedor do Vitória não espere de mim trazer ninguém em final de carreira com altos salários. E o sistema de monitoramento também servirá para analisar jogadores experientes".


Assessoria/Ricardo David/Twitter
Assessoria/Ricardo David/Twitter

Ricardo David utiliza massivamente as redes sociais na apresentação de propostas


Sobre o executivo de futebol


[No dia da entrevista, Ricardo David se negou falar o nome do novo diretor, mas anunciou posteriormente que, caso eleito, o cargo será ocupado por Erasmo Damiani, ex-coordenador das categorias de base da CBF]


"Estou trabalhando com ele há seis meses com reuniões frequentes. É um profissional com um trânsito no mercado brasileiro e internacional, detentor de um currículo marcante no futebol. Teremos uma pessoa com identificação muito grande com o jovens atletas para formarmos um time veloz e moderno".


Participação do ex-presidente Carlos Falcão como mentor da chapa


"Obviamente que eu sou um profissional com uma trajetória de vida, com pós-graduação. Eu tenho um desenvolvimento próprio como pessoa e empresário e tenho gerido minhas empresas com louvor. Não tenho o perfil que alguém me diga o que eu preciso fazer. Ao contrário. Se eu entrar no seu blog, seguramente amanhã estarei dizendo o que você tem que fazer. Eu vou preferir ouvir você, estudar mais como funciona. É da minha trajetória. Quem participou comigo sabe o quanto eu gosto do trabalho participativo e integrado. Ninguém nunca mandou nem vai mandar em mim. Sou aberto a ouvir. O Carlos Falcão na época me convidou para ser diretor porque identificou em mim algum talento para trabalhar na direção do Esporte Clube Vitória. Não para mandar. Se fosse para fazer o que ele queria, qualquer um servia. Eu tenho uma história nessa área e assim desenvolvi meu trabalho. Quando ele saiu, Dr. Raimundo Viana me convidou para que eu permanecesse na gestão. Então faz parte. Ele (Carlos Falcão) está afastado do conselho deliberativo e alguém que se afasta do conselho dá um sinal claro que não quer participar da vida política do clube. E se não quer participar, terá meu respeito. Ele não fará parte e não terá nenhum cargo na minha gestão".


Alianças e participações de políticos


"Tive na minha empresa mais de 1.100 funcionários e nenhum parente, amigo ou indicação política ocupando nenhum cargo. Ou seja, se eu não fiz na minha empresa, onde faço o que quero, não vou fazer em um lugar que não é meu. A gestão é completamente profissional. E você pode ver isso pelo quadro de alianças. Me diga um político que está me apoiando? Não tem. E não pense que não tentaram não. Fui convidado para todas as chapas que estão ai se apresentando. Não aceitei porque tenho uma metodologia muito específica, muito própria de gestão profissionalizada e é nisso que tenho experiência. Não tenho experiência em conchavo político. Tenho experiência em gerir organizações de maneira séria, buscando os melhores profissionais. E tenho uma máxima importante que será usada no Vitória: eu não boto pra dentro quem não posso botar pra fora, e esses conchavos políticos impedem isso".


Critério na montagem da equipe de gestão do clube


"O Vitória terá profissionais qualificados em cada área com metas e objetivos. Não demonstrando habilidades para o atingimento delas, teremos alguma ação. E esse é um compromisso que tenho com a minha equipe. Não tem ninguém que vai entrar que não vai poder sair".


Assessoria/Ricardo David/Twitter
Assessoria/Ricardo David/Twitter

Raimundo Viana e Ricardo David na festa da UTV


Possibilidade de aliança com Raimundo Viana


"Nesse primeiro turno, não. O Dr. Raimundo Viana já se lançou candidato a presidente e eu também. Caso haja intenção de retirar candidatura, o Dr. Raimundo Viana seria muito bem acolhido. Uma pessoa com um passado que o dignifica, mas não é essa intenção dele agora. Para o segundo turno, será uma questão de composições futuras. A única coisa que quero deixar claro é que não haverá nenhuma composição ou aliança que não seja com o projeto que estou levando para o Vitória. O meu projeto hoje é fruto de muita participação de profissionais habilitados. Eu fui buscar pessoas que enriqueceram meu projeto. Não é um projeto criado de uma hora para outra e foi montado ao longo de dois anos. As alianças comigo aconteceram em prol do projeto. Agora, abrir mão do projeto para ter uma aliança de cunho político não será aceito".


O que comemorar em 2017?


"Comemorar a exposição de um modelo dos conchavos políticos, das alianças políticas, da junção de pessoas desiguais e que foi o que aconteceu. Acho que a única coisa que podemos comemorar é exposição de um modelo que jamais deve voltar a direção do Vitória. Mostrando aquilo que eu vi lá nos debates da eleição passada, quando se perguntava sobre o projeto de futebol e me respondiam que o projeto de futebol era um 'homem, Sinval Vieira, ele que vai decidir tudo'. Isso está completamente desconcatenado. Ninguém hoje é capaz de assumir sozinho essa responsabilidade. O futebol hoje preconiza multidisciplinaridade. Conhecimentos que não estão na cabeça de nenhum homem especificamente. A exposição desse modelo talvez seja a única coisa que temos a comemorar. E, óbvio, a permanência na Séria A. Estamos acostumados a comemorar isso, mas é muito pouco pra gente. Estamos aliviados".


Ricardo David de 2016 x Ricardo David de 2017


"Muito mais preparado. Com o conhecimento muito maior que vou carregar para dentro do Vitória. Foi um ano intensamente vivido para planejar o Vitória. Estava me preparando e fiz um programa de viagens, cursos e reuniões de preparação para 2019. E com isso tive que antecipar tudo. Então o que está previsto para 2018 foi colocado para 2017. Me sinto muito mais preparado e muito mais seguro. Tive oportunidade de estar com pessoas que me engrandeceram muito nessa área. Sinto que o que eu tenho que levar para o Esporte Clube Vitória é o que o Vitória precisa nesse momento".


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Os candidatos Manoel Matos e Thiago Ruas também foram entrevistados e terão seus espaços nos próximos dias.


SRN


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